A defesa de Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, protocolou um pedido de revogação da prisão preventiva alegando que ele corre risco de "morte súbita". O requerimento foi apresentado na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande e surge após Bernal ter sido internado na Santa Casa devido a um infarto. Os advogados William Wagner Maksoud Machado e Ricardo Machado Filho alegam que a situação de saúde do político, que inclui histórico de problemas cardíacos, justifica a concessão de "prisão domiciliar humanitária".
Bernal, de 60 anos, está preso desde 24 de março, quando foi acusado de homicídio qualificado do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, durante uma disputa por um imóvel no Jardim dos Estados. Em seu pedido, a defesa argumenta que o estado de saúde do ex-prefeito representa um novo fator, que não foi considerado nas decisões anteriores que mantiveram sua prisão.
O ex-prefeito possui um histórico médico preocupante, com hipertensão arterial, diabetes e três infartos anteriores, além de ter se submetido ao implante de quatro stents coronarianos. O relatório médico assinado pela cardiologista Pâmela Mantovani Baldissera Lacoski destaca que exames realizados em 19 de junho revelaram alterações cardíacas significativas, como extrassístoles ventriculares frequentes e indícios de isquemia.
Em 1º de junho, Bernal passou por um cateterismo que diagnosticou doença arterial coronariana multiarterial grave, com lesões de 70% e 80% nas artérias e uma obstrução de 90% em uma região onde já havia um stent. O laudo médico indica que seu quadro de saúde o coloca em "altíssimo risco cardiovascular", com possibilidade de complicações graves, incluindo síndrome coronariana aguda e morte súbita.
A recomendação médica é de repouso relativo e acompanhamento contínuo por pelo menos 30 dias após o procedimento cardiológico. Bernal foi transferido da unidade prisional para a Santa Casa em 1º de julho, após sofrer o infarto. A defesa ressalta que a situação atual do ex-prefeito exige uma reconsideração das condições de sua detenção.
O caso de Bernal está em trâmite no Judiciário, e a defesa usou os recentes eventos de saúde do ex-prefeito para fundamentar o pedido de prisão domiciliar. O ex-prefeito já se apresentou em juízo, negando intenção de matar e alegando que agiu em legítima defesa durante o incidente que resultou na morte de Mazzini. A versão apresentada por ele, no entanto, é contestada pela acusação, que afirma que Bernal disparou contra a vítima sem justificativa.






