O caso de José Wanderlei Rodrigues de França ilustra a morosidade do sistema judiciário em Mato Grosso do Sul, onde réus podem esperar até cinco anos por um julgamento. Após ser preso em 2022, após 23 anos foragido, José aguarda há quatro anos por sua audiência. O juiz da 1ª Vara Criminal de Naviraí, Fernando Moreira de Freitas, reconheceu que a prisão já dura um "lapso temporal relevante", mas a pauta do tribunal está cheia, com todas as datas já ocupadas por sessões previamente agendadas.
Essa situação não é isolada. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), conforme dados do Mapa Nacional do Tribunal do Júri, leva em média 5 anos e 10 meses — equivalente a 2.150 dias — para dar início a um processo e emitir uma sentença definitiva. Além disso, o painel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela que o tempo de espera para as ações pendentes é alarmante, atingindo 14 anos e 4 meses, com a maioria dos casos (619) acumulando mais de uma década de tramitação.
Atualmente, o TJMS enfrenta um total de 1.075 processos pendentes, dos quais 273 foram iniciados em 2025. A situação é ainda mais crítica quando se considera que 1.380 presos em Mato Grosso do Sul estão em regime provisório, ou seja, aguardando julgamento sem condenação. O caso de José Wanderlei, que é acusado de duplo homicídio ocorrido em Sete Quedas em 1997, é um exemplo emblemático desta realidade.
O crime pelo qual José é acusado ocorreu no dia 1º de janeiro de 1997, quando ele, junto com Valdereis Rodrigues de França, matou Irineu Bordin dos Santos, conhecido como "Cacique", e Márcio José da Costa. A motivação para os homicídios, conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), remonta a uma discussão que teve início dias antes do crime, quando Irineu, ao passar com uma caminhonete, acabou jogando água em José, que estava em uma motocicleta.
Após este incidente, houve um confronto físico entre José e Irineu, e, posteriormente, José e Valdereis perseguiram Irineu, disparando contra seu veículo. No dia do crime, avistaram Irineu e Márcio próximos a uma agência bancária e realizaram os disparos que resultaram nas mortes. Apesar do longo tempo em que José está detido, a Justiça decidiu, em recente decisão interlocutória, que ainda existem razões suficientes para sua manutenção na prisão, argumentando que o risco que justificou a prisão preventiva não se esvaziou com o passar do tempo.





