O mercado da soja no Sul e no Centro-Oeste do Brasil começou o mês de junho com um movimento lento, caracterizado por preços majoritariamente estáveis e um crescente estado de preocupação em relação à logística e à armazenagem. No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande fechou a R$ 132,00 por saca, enquanto a colheita já alcançou 99% da área cultivada, beneficiada pelo clima seco e boas condições de trafegabilidade. Regiões como Caxias do Sul, Erechim, Lajeado, Passo Fundo e Soledade já concluíram suas atividades de colheita. Na Campanha, 93% da área foi colhida, restando apenas lavouras de plantio mais tardio. Em Santa Rosa, onde 98% da área foi retirada, os rendimentos variam entre 900 kg/ha e 4.200 kg/ha, refletindo o estresse hídrico em solos mais frágeis.
Em Santa Catarina, o mercado se manteve contido. O porto de São Francisco registrou a soja a R$ 131,00 por saca, enquanto Rio do Sul teve um leve aumento de 0,86%, alcançando R$ 117,00. Por outro lado, Palma Sola viu uma queda de 0,43%, com a soja cotada a R$ 114,50. A retenção dos produtores tem limitado a disponibilidade de grandes volumes, em virtude da falta de incentivos nos preços.
No Paraná, o porto de Paranaguá operou a R$ 130,50, enquanto o interior apresentou preços estáveis ou levemente desvalorizados. A colheita no estado foi encerrada, resultando em uma produção de 21,7 milhões de toneladas, uma das maiores já registradas na história estadual. Contudo, as preocupações locais estão relacionadas à diminuição da cobertura do seguro rural, que viu sua área segurada cair 63,8%, passando de 3,8 milhões para 1,25 milhão de hectares.
Em Mato Grosso do Sul, Dourados ficou com o preço de R$ 115,00, enfrentando silos com alta ocupação e a necessidade de escoamento para abrir espaço para o milho. Já Em Mato Grosso, a situação de armazenagem se tornou crítica, pressionada pelo volume de soja estocada e pela colheita do milho safrinha. O Indicador Imea fechou a R$ 105,28, enquanto o spread, que se aproxima de R$ 10,00 entre fazenda e porto, impacta as margens e aumenta a pressão sobre os produtores.
Além do cenário desafiador no mercado de soja, a bolsa de valores iniciou junho com uma queda de 0,91%, atingindo o menor nível desde janeiro. Este contexto econômico traz implicações significativas para os produtores que lidam com margens cada vez mais apertadas em um ambiente de preços instáveis.






