Em áreas com vegetação, grama e quintais, é comum encontrar sapos, pererecas e rãs nas casas, especialmente em Mato Grosso do Sul. Apesar de muitos mitos que cercam esses animais, eles podem trazer importantes benefícios ao ambiente e à saúde humana.

De acordo com o Instituto Butantan, há quem acredite que os sapos espirram veneno capaz de causar cegueira ou transmitem doenças ao toque. No entanto, os anuros que vivem no quintal ajudam a controlar pragas e funcionam como bioindicadores da qualidade ambiental.
Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), existem no Brasil 1.144 espécies de sapos, rãs e pererecas, o que faz do país o líder mundial em diversidade do grupo Anura.
Essa variedade é fundamental para manter a biodiversidade e impulsionar avanços científicos, como o estudo de compostos antibióticos e outras substâncias produzidas nas glândulas da pele desses animais.
Controle de pragas e proteção doméstica
Um dos principais benefícios de manter anuros nos quintais é o controle de pragas. Esses animais são grandes predadores de invertebrados, como formigas, aranhas, cupins e até escorpiões.
As pererecas pequenas, capazes de escalar paredes, ajudam no combate a mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, transmissor da dengue. Assim, tê-los no jardim ou até dentro de casa pode reduzir a presença de insetos e aracnídeos.

O sapo-cururu, ou sapo-boi (do gênero Rhinella), é um exemplo de espécie útil nesse controle. Ele é resistente ao veneno do escorpião-amarelo, um dos principais responsáveis por acidentes com animais peçonhentos no Brasil.
Bioindicadores ambientais

Além do controle de pragas, sapos, rãs e pererecas funcionam como bioindicadores. Com pele fina e sensível, que participa de parte de sua respiração, eles dependem de condições adequadas de água, vegetação e clima para sobreviver.
Por isso, sua presença ou ausência pode revelar a qualidade ambiental de uma região, incluindo a contaminação por agentes tóxicos.
Desmistificando os mitos
Ao contrário do que muitos acreditam, sapos não transmitem cobreiro (herpes-zóster), doença causada pelo mesmo vírus da catapora. Também não esguicham veneno capaz de cegar ou envenenar.
O que alguns folclores interpretam como “espirro de veneno” é, na verdade, água que eles armazenam em uma espécie de bexiga para manter a umidade do corpo.
Perigo para pets
Embora não ofereçam risco direto aos humanos, o veneno de alguns sapos, como o sapo-cururu, pode afetar animais de estimação.
As glândulas parotóides presentes nas costas liberam toxinas quando pressionadas, causando efeitos cardiotóxicos e gastrotóxicos se ingeridas. Por isso, é importante impedir que cães e gatos mordam esses animais.
Cuidados e convivência
O Instituto Butantan alerta: mesmo que você não goste de sapos, rãs ou pererecas, nunca os mate. Maltratar animais silvestres é crime ambiental (artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais), com pena de seis meses a um ano de prisão e multa.
Para reduzir a presença desses animais no quintal, mantenha o local limpo, com grama aparada e sem buracos.
Diminuir a iluminação externa à noite ajuda a reduzir a atração de insetos, fonte de alimento dos anuros.
Cercas ou telas firmes e com tramas pequenas podem direcionar os animais para outros locais sem machucá-los.
Se encontrar sapos, rãs ou pererecas dentro de casa, retire-os cuidadosamente com luvas, garantindo sua segurança e a preservação do equilíbrio do ecossistema.






