Dourados está lidando com um aumento significativo no número de casos de chikungunya, conforme apontado pelo Relatório Epidemiológico Diário da Prefeitura Municipal, divulgado neste domingo (19) pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Departamento de Vigilância em Saúde Epidemiológica. O documento revela que o município já registrou 5.096 casos prováveis da doença, dos quais 2.022 foram confirmados por exames laboratoriais. Além disso, há um total de 1.051 casos descartados e 3.074 em investigação, resultando em 6.147 notificações no total.
A taxa de positividade dos exames, que indica a proporção de resultados positivos entre os testados, alcançou 65,8%, o que sugere uma ampla circulação do vírus entre os pacientes que apresentam sintomas. O relatório ainda menciona a confirmação de oito mortes em decorrência das complicações da chikungunya, além de dois óbitos que estão sendo investigados. Das vítimas confirmadas, sete pertencem à população indígena, enquanto uma é de origem não indígena. Entre os casos em análise, estão uma criança indígena de 12 anos e um idoso de 84 anos, não indígena, que sofria de doença arterial coronariana.
A análise epidemiológica indica uma alteração no perfil de disseminação da chikungunya nas últimas semanas. Durante as semanas epidemiológicas 10 a 12, a maioria dos casos estava concentrada entre a população indígena. No entanto, a partir da semana 13, houve uma inversão nesse cenário, com um aumento das notificações entre a população não indígena. Isso aponta para uma mudança na transmissão, que antes era mais intensa nas aldeias e agora se concentra na área urbana do município.
Com esse panorama, Dourados continua em estado de emergência em saúde pública. O relatório ressalta que, embora a incidência de casos nas aldeias tenha diminuído, as infecções agudas na zona urbana permanecem elevadas. Essa situação tem gerado um impacto direto na rede de saúde, resultando em um aumento nas internações e sobrecarga tanto na Atenção Primária quanto nos serviços de urgência e emergência, além de uma maior ocupação dos leitos hospitalares.
Outro dado relevante monitorado é a taxa de ataque da chikungunya, que está em 1,9%, refletindo o nível de disseminação da doença na população e auxiliando na avaliação de riscos e na gestão dos recursos de saúde. As autoridades de saúde alertam que os dados podem ser atualizados, uma vez que estão em constante análise conforme novas notificações são registradas e casos são encerrados nos sistemas oficiais, como o Sinan, o ArboNotifica e o Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL/MS). O município permanece em alerta máximo para conter a propagação da doença e minimizar seus efeitos na população.






