Espécie exótica de cervo é avistada no Pantanal após 17 anos de ausência

O cervo da Índia, conhecido cientificamente como chital (Axis axis), foi identificado em área pantaneira a cerca de 100 quilômetros de Corumbá, em janeiro deste ano. Trata-se de um animal nativo de florestas da Índia, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, Butão e Paquistão, e sua presença no Pantanal representa um risco à biodiversidade regional, com potenciais impactos em saúde, ecossistema e vegetação.

A espécie foi vista pela primeira vez no Brasil em 2009 e demorou cerca de 17 anos para chegar ao bioma. Especialistas destacam preocupação com a possibilidade de competição por alimentos entre o chital, que pode pesar mais de 100 kg, e os cervídeos nativos do Pantanal, como o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus leucogaster), o veado-catingueiro (Subolo gouazoubira) e o veado-mateiro (Mazama rufa). Um único indivíduo foi confirmado na Chaco úmido, região de difícil acesso, sugerindo que a espécie não foi levada ao local recentemente ou escapou de cativeiros próximos.

Os pesquisadores alertam que o chital pode transmitir doenças desconhecidas aos cervídeos locais e causar desequilíbrios, assim como ocorreu com o javali em outras áreas do país. A falta de governança específica para controle de espécies invasoras de mamíferos agrava a situação, já que não há um serviço nacional ou estadual dedicado à vida selvagem.

Embora a espécie ainda não tenha se disseminado em larga escala no Pantanal, seu relato foi feito por um funcionário rural ao avistar o animal atacando touros e sendo perseguido por cães. A venda de chitais como ornamentais persiste no país, com preços variando entre 10 mil e mais de 20 mil reais, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais rígidas para evitar novas invasões.

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