Pesquisas recentes sobre bactérias utilizadas na agricultura revelam que a cepa Bacillus thuringiensis, conhecida por seu uso no controle de pragas, especialmente lagartas, pode apresentar benefícios adicionais, incluindo a promoção do crescimento do milho. O engenheiro agrônomo Fernando Souza liderou um estudo que avaliou a cepa Bt RZ2MS9, originária de regiões tropicais, em diferentes condições de aplicação.
O trabalho investigou a cepa isoladamente e em combinação com Azospirillum brasilense Ab-V5. O objetivo principal era verificar se a coinoculação proporcionaria um crescimento mais robusto do milho do que a aplicação isolada da cepa RZ2MS9. Além disso, o estudo monitorou a colonização da bactéria nos tecidos da planta e a produção de compostos orgânicos voláteis.
As análises realizadas por meio de qPCR e microscopia de fluorescência demonstraram que a Bt RZ2MS9-GFP conseguiu colonizar os tecidos internos das raízes e folhas, indicando um comportamento endofítico. Nos parâmetros de crescimento, a inoculação isolada da bactéria resultou em um aumento de 13% no diâmetro das raízes e 34% no volume radicular. A altura da parte aérea do milho cresceu 22% com a aplicação isolada e 20% na coinoculação com Ab-V5.
Os resultados mostraram que o sistema radicular respondeu de forma positiva a ambos os tratamentos. A massa seca também apresentou avanços significativos: nas raízes, o ganho foi de 40% com a cepa isolada e 51% na coinoculação. Na parte aérea, os aumentos foram ainda mais expressivos, atingindo 66% e 80%, respectivamente. Fernando Souza ressaltou a importância de não generalizar as funções das bactérias apenas com base em gêneros ou espécies, já que a resposta pode variar conforme a cepa utilizada.
Esse estudo abre novas possibilidades para a utilização de microrganismos na agricultura, destacando não apenas o controle de pragas, mas também o potencial para a melhoria do crescimento das plantas, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.





