Estudo revela que 50% dos feminicídios em MS ocorrem dentro de casa à noite

Um levantamento realizado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no Mapa do Feminicídio 2026 revela dados alarmantes sobre a violência contra mulheres no Estado. De acordo com o estudo, 50% dos assassinatos de mulheres ocorreram dentro de suas residências, geralmente à noite, quando as vítimas estão na companhia de seus agressores. Esse cenário traz à tona uma preocupação crescente entre especialistas e defensores dos direitos das mulheres: o maior risco está no próprio lar, onde deveria haver segurança e proteção.

Entre janeiro e maio de 2026, os casos de feminicídio, tanto consumados quanto tentados, aumentaram em 23% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento revela que 65,5% das mulheres assassinadas foram vítimas de seus companheiros ou cônjuges, enquanto 15,3% foram mortas por ex-companheiros ou ex-maridos. Até maio deste ano, foram registradas 12 vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul, com idades variando de 18 a 74 anos, em diversas localidades, incluindo Bela Vista, Corumbá, Coxim, Três Lagoas, Ponta Porã, entre outras.

A análise dos dados do MPMS aponta que a maioria dos feminicídios ocorre à noite, com 50% dos casos registrados nesse período. Além disso, 33,3% dos crimes aconteceram à tarde e 16,7% pela manhã. Embora as vias públicas tenham sido responsáveis por 16,7% dos casos, a residência do casal permanece como o local mais perigoso para as mulheres. A relação entre feminicídios e violência doméstica é evidenciada pelo fato de que mais de 80% dos autores são companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Outro dado preocupante é que mais de 80% das mulheres assassinadas não possuíam medidas protetivas em vigor no momento dos crimes. Essa estatística destaca um dos principais desafios enfrentados pela rede de proteção: incentivar que mulheres em situação de violência busquem ajuda antes que a situação se agrave. A campanha "Você Merece um Amor Leve", lançada pelo MPMS, visa promover a conscientização sobre a importância de identificar relacionamentos abusivos e os sinais de controle e posse, que muitas vezes são confundidos com demonstrações de afeto.

Em situações de emergência, as mulheres têm à disposição canais de apoio, como a Polícia Militar pelo telefone 190 e a Guarda Civil Metropolitana pelo 153. Além disso, podem buscar orientação através da Ouvidoria do MPMS, pelo canal 127, ou se dirigir à Promotoria de Justiça mais próxima, visando garantir sua segurança e proteção.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest