Um estudo conduzido pela Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que mulheres que se submeteram a cesáreas apresentam um aumento de 45% no risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, uma forma rara de câncer que se origina de células da placenta e se desenvolve no útero.
A neoplasia trofoblástica é a complicação mais severa da mola gestacional, que ocorre devido a uma fertilização anômala entre óvulos e espermatozoides, resultando em uma estrutura placentária anormal. Essa condição pode ser classificada como mola completa, que muitas vezes não apresenta feto, ou mola parcial, que pode ter um feto inviável.
Cerca de 20% dos casos de mola gestacional podem evoluir para câncer de placenta. No Brasil, a incidência dessa doença é estimada em um caso a cada 200 a 400 gestantes, resultando em aproximadamente 2,9 mil diagnósticos de neoplasia por ano.
O estudo foi inspirado por uma pesquisa anterior feita na Coreia do Sul, que analisou uma amostra reduzida de pacientes. A líder da pesquisa brasileira, Gabriela Paiva, enfatizou que a Maternidade Escola da UFRJ, que faz parte da rede HU Brasil e do Sistema Único de Saúde, possui um Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional, considerado o terceiro maior centro de pesquisa e atendimento a mola do mundo. A unidade atende cerca de 80 pacientes semanalmente.
Gabriela comentou sobre a relevância do volume de atendimentos na UFRJ, destacando que isso proporcionou uma avaliação mais precisa em comparação a estudos anteriores. A pesquisa em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, vinculado à Universidade de Harvard, também trouxe novas perspectivas sobre a relação entre cesáreas e o câncer de placenta.
Os pesquisadores estimam que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas No Brasil, que atualmente é de 55%, poderia evitar cerca de 177 casos de câncer por ano, resultando em uma diminuição de 6,1% na incidência anual da doença.




