A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), em Brasília (DF) nesta quinta-feira, 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. O advogado Daniel Monteiro, que teria atuado em negociações com o BRB em nome do Banco Master, também foi detido em São Paulo. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conta com o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR), operando sob sigilo.
Costa será levado ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O advogado Cleber Lopes afirmou que seu cliente “não cometeu crime algum”. A prisão está relacionada a uma suposta propina paga pelo Banco Master durante negociações que envolviam a transação de seis imóveis, totalizando R$ 146,5 milhões. Os imóveis incluem quatro localizados em São Paulo e dois em Brasília.
Investigações indicam que os envolvidos teriam montado um esquema de compliance paralelo para evitar os controles internos do BRB. Há suspeitas de que o pagamento de vantagens indevidas tenha ocorrido na aquisição e transferência dos apartamentos, utilizando empresas de fachada. A operação investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Durante sua gestão, que começou em 2019, Paulo Henrique Costa tentou adquirir o Banco Master, e foi sob sua liderança que o BRB comprou ativos problemáticos dessa instituição, sob a responsabilidade de Daniel Vorcaro. O BRB enfrenta uma situação financeira complicada, precisando provisionar cerca de R$ 8,8 bilhões, conforme relatado pelo atual presidente, Nelson Antônio de Souza.
Em depoimento à PF, Costa defendeu a compra de carteiras como uma estratégia necessária e afirmou que o BRB não tinha a intenção de salvar o Banco Master. Ele negou que a transação tivesse o intuito de evitar a falência da instituição, destacando que um contrato que exclui R$ 51 bilhões de ativos não poderia ser considerado uma salvação para o Master.





