Em meio a um Brasil tensionado entre fé e poder, o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, lançado em 2024, emerge como uma análise sobre a influência do movimento evangélico na política nacional. Com uma linguagem visual que alterna multidões, discursos políticos e momentos íntimos, a cineasta Petra Costa constrói uma narrativa sobre o acesso ao poder.
A produção investiga os impactos da fé evangélica na política brasileira dos últimos dez anos, com acesso a figuras importantes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o televangelista Silas Malafaia e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme aborda a ideologia apocalíptica que permeia o movimento evangélico e sua instrumentalização política, trazendo uma perspectiva histórica que remonta à ditadura militar.
O documentário evidencia como o movimento evangélico, que representa 30% da população, teve um papel decisivo na ascensão de Jair Bolsonaro, e questiona o impacto dessa influência na democracia. A obra mostra como a vulnerabilidade da democracia à manipulação religiosa se intensifica com discursos apocalípticos e uma estratégia de poder que utiliza o medo, a esperança e a fé. Essa estratégia se consolida por meio de discursos proféticos e políticas voltadas às igrejas, transformando a fé em identidade política.
Críticos destacam o alerta urgente do filme sobre os riscos do uso político da fé e a reflexão fundamental sobre como a religião foi transformada em ferramenta de poder por certos políticos. Pastores e líderes religiosos não apenas pregam, mas indicam candidatos e orientam votos, moldando uma narrativa do que é certo e errado na política, exercendo um controle ideológico sobre seus seguidores.
“Apocalipse nos Trópicos” convida o espectador a refletir sobre os limites da mistura entre política e religião, questionando o uso da fé como moeda de poder e o impacto nos debates, que deveriam ser baseados em ciência, direitos e pluralidade. O documentário chegou aos cinemas brasileiros em julho e ao catálogo da Netflix em meados do mesmo mês.





