O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países no que se refere ao conhecimento e ao valor agregado dos minerais críticos, durante a Cúpula de Líderes do G20, realizada em Joanesburgo, África do Sul. O evento, que reuniu as maiores economias do mundo, abordou temas como minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente, assuntos também discutidos na COP30.
“A forma como integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente.
Minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel e terras raras, são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. A oferta desses minerais enfrenta riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. A cúpula do G20 deve publicar um documento sobre o tema, reforçando a importância de beneficiar esses produtos nos países de origem e estabelecendo princípios para a extração e beneficiamento.
Lula enfatizou que a transição energética oferece oportunidades para ampliar as fronteiras tecnológicas e ressignificar a exploração de recursos naturais. “Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, declarou.
O presidente ressaltou que soberania não se mede pela quantidade de depósitos naturais, mas pela capacidade de transformar recursos por meio de políticas que beneficiem a população. Ele defendeu investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que fortaleçam a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos. O Brasil, por exemplo, possui cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos.
No que diz respeito à inteligência artificial (IA), Lula defendeu uma governança global e representativa, para que seus benefícios sejam compartilhados de forma equitativa. “O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse. Ele alertou para o risco de uma nova forma de colonialismo digital, caso poucos controlem os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos.
Lula também lembrou que 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital e defendeu que o desenvolvimento tecnológico esteja atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, considerando que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA.
O G20, criado em 1999, é o principal órgão para cooperação econômica internacional e se tornou uma instância política em 2008. Em 2025, a África do Sul conduzirá os trabalhos do grupo sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”.
À margem da cúpula, Lula se reuniu com os líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Após o evento, o presidente seguiu para Moçambique, onde realizará uma visita de trabalho.





