Grupo Fictor pede recuperação judicial após tentativa de compra do Banco Master

O Grupo Fictor protocolou neste domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A medida ocorre após a tentativa frustrada de compra do Banco Master, em novembro de 2025, antes de o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Segundo o grupo, o pedido tem como objetivo “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam aproximadamente R$ 4 bilhões. A companhia informou ainda que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” e solicitou à Justiça a suspensão de cobranças e bloqueios por um prazo de 180 dias.

Grupo Fictor pede recuperação judicial após tentativa de compra do Banco Master. - Foto: Reprodução
Grupo Fictor pede recuperação judicial após tentativa de compra do Banco Master. – Foto: Reprodução

Em comunicado, a Fictor afirmou que o período de suspensão é necessário para criar um ambiente de negociação estruturada com credores e garantir a continuidade das atividades. “Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento, sem interromper as operações”, destacou.

A empresa também relacionou o pedido de recuperação judicial ao impacto causado pela tentativa de aquisição do Banco Master. Em novembro, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta para comprar o banco, mas a operação foi suspensa após a decisão do Banco Central de decretar a liquidação da instituição.

De acordo com a Fictor, o episódio afetou diretamente a reputação do grupo no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, afirmou a empresa em nota.

O grupo ressaltou ainda que, desde o início de suas operações, não havia registrado atrasos no cumprimento de obrigações financeiras. Diante da crise, informou ter colocado em prática um plano de reestruturação que incluiu a redução da estrutura física e do número de funcionários.

Segundo a companhia, as medidas foram adotadas antes mesmo do pedido de recuperação judicial. “Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, informou.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. No pedido apresentado à Justiça, a empresa destacou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter suas rotinas operacionais e contratos em vigor.

“O objetivo é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”, explicou o grupo.

Após a decisão do Banco Central sobre o Banco Master, o consórcio liderado pela Fictor declarou, em novembro, que a operação de compra estava “integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores” e que permanecia “à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos”.

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