Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, prestou depoimento sobre o assassinato da mulher trans Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e de seu marido, Ademar Spacino Júnior, de 38. O crime ocorreu na madrugada de sexta-feira (5) em Campo Grande. Após ser preso em flagrante, Deivison foi liberado em audiência de custódia no sábado (6), decisão que gerou um recurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Durante o interrogatório, Deivison sustentou que agiu em legítima defesa. Ele afirmou que a confusão começou a partir de uma discussão entre sua esposa e o casal. Deivison relatou que Natália teria avançado em direção à sua mulher, o que o levou a pegar uma arma de fogo e disparar. Ele contou que fez o primeiro disparo no chão, na tentativa de assustar Natália, e, em seguida, disparou mais vezes, totalizando pelo menos seis tiros, conforme sua declaração.
O acusado também mencionou que Ademar, ao ser chamado pela esposa, foi em direção à cozinha em busca de uma faca e, ao se aproximar, também foi alvo dos disparos. Deivison afirmou ter disparado contra Ademar para tentar fazê-lo parar, mas alegou que continuou a ser ameaçado. A versão apresentada por ele foi contestada por familiares das vítimas.
A mãe de Natália declarou que a filha e o marido frequentemente eram ameaçados por Deivison e sua esposa. Ela classificou o crime como um ato de ódio, ressaltando que a motivação poderia estar relacionada ao fato de Natália ser uma mulher trans. A mãe expressou sua dor pela perda e questionou a lógica de uma vida perdida de forma tão brutal.
Após a soltura de Deivison, o MPMS interpôs um recurso ao Tribunal de Justiça, pedindo a prisão preventiva do acusado. No recurso, o MP argumenta que há evidências substanciais de autoria, incluindo a confissão de Deivison, a apreensão da arma utilizada e elementos periciais que indicam múltiplos disparos contra as vítimas. O MPMS também enfatiza que Natália foi atingida por três tiros nas costas e sugere a possibilidade de motivação discriminatória pelo crime.
O Ministério Público argumenta que a liberdade de Deivison representa um risco à ordem pública e pode comprometer a instrução criminal, além de gerar insegurança para os familiares das vítimas. O pedido de prisão preventiva destaca que a análise sobre a legítima defesa requer investigações mais aprofundadas, não podendo ser decidida de forma sumária na audiência de custódia. Assim, o MPMS solicita a suspensão imediata da decisão que concedeu liberdade provisória a Deivison até que o recurso seja julgado definitivamente.






