A floresta amazônica segue como um dos destinos mais fascinantes do planeta, atraindo visitantes de diferentes países interessados em vivenciar de perto a biodiversidade do maior bioma tropical do mundo. Em Alta Floresta, um hotel instalado às margens do Rio Cristalino, dentro de uma reserva florestal, tem se destacado por aliar turismo, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
O empreendimento recebe turistas do Brasil e do exterior, como a médica australiana, Lia Waring, apaixonada pela observação de aves, que registrou mais de mil espécies durante a estadia na região. Encantada, ela destaca a importância da preservação. “É realmente importante preservar a diversidade de vida que vocês têm aqui e as árvores, a diferente fauna, assim como a flora. É simplesmente um lugar incrível”, resume.
Criado no início da década de 1990, o hotel surgiu inicialmente para atender pesquisadores e observadores de pássaros. Com o passar dos anos, passou por adaptações e investimentos em tecnologia para reduzir ao máximo o impacto ambiental da atividade turística. Hoje, a energia utilizada é proveniente do sol, parte dos alimentos é cultivada em horta própria, sem agrotóxicos, e o uso de plástico foi eliminado do local, até os canudos são feitos de material biodegradável.
O cuidado com o meio ambiente também se reflete no tratamento da água e do esgoto, realizado por meio de sistemas biológicos. As chamadas águas cinza passam por processos como o “vapotranspiração”, no qual plantas realizam a filtragem natural, e o “círculo de bananeira”, que reaproveita a água do chuveiro e da pia, devolvendo-a de forma segura à natureza. O lixo orgânico também ganha destino sustentável: todos os resíduos da cozinha passam por compostagem e, após cerca de 90 dias, são transformados em adubo utilizado na horta e nos jardins.
Parte do valor pago pelos hóspedes é destinada à Fundação Ecológica Cristalino, criada pela empresária Vitória da Riva, responsável pela manutenção de quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) na região. A iniciativa surgiu como resposta ao avanço do garimpo e à degradação ambiental. “Descobri que era possível conservar a floresta de forma perpétua”, afirma a fundadora.
Foi a partir dessa visão que o ecoturismo passou a ser uma ferramenta de preservação. A proposta é simples e eficaz: manter a floresta em pé e permitir que as pessoas conheçam sua riqueza natural de forma responsável. Os visitantes podem explorar trilhas, navegar pelo Rio Cristalino, observar a paisagem do alto de uma torre de 50 metros, fotografar a fauna e a flora e aproveitar praias de água doce em meio à mata.
Para quem visita, a experiência vai além do lazer. “Aqui a gente encontra uma paz que não encontra em outros lugares”, relata a turista Silvia Junqueira Reis. “É tudo muito lindo, tudo tem um porquê. A preservação nessa região é impressionante”, completa.

Em meio aos desafios da conservação ambiental na Amazônia, o exemplo de Alta Floresta mostra que é possível conciliar turismo, economia e preservação, transformando a floresta em protagonista de um modelo sustentável que beneficia o meio ambiente e as futuras gerações.






