A partir de uma experiência prática de extensão, servidores e estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) desenvolveram o “Guia de Confecção de Tijolos de Adobe: uma prática interdisciplinar sustentável”, material educacional que alia ensino, sustentabilidade e valorização do patrimônio cultural. A iniciativa transforma uma técnica construtiva ancestral em ferramenta pedagógica contemporânea, voltada à formação técnica e à conscientização ambiental.
Em um cenário de crescentes desafios ambientais no setor da construção civil, o material propõe a revisão de práticas tradicionais e incentiva a adoção de soluções mais sustentáveis. A produção de tijolos de adobe foi utilizada como eixo central da proposta pedagógica, conectando diferentes áreas do conhecimento a partir da prática e da experimentação.

De origem milenar, o tijolo de adobe é um material ecológico feito de terra crua, água e fibras naturais, como palha ou esterco, moldado manualmente e seco ao sol. A técnica, que atravessa gerações, surge no guia como alternativa viável e sustentável, capaz de unir construções rústicas aos princípios da bioconstrução moderna.
A experiência também evidenciou, na prática, o funcionamento da verticalização do ensino. Ao longo do projeto, dez estudantes voluntários do curso de Engenharia Civil atuaram como extensionistas, promovendo a troca de conhecimentos com alunos do Ensino Médio Integrado dos campi Octayde Jorge da Silva, Bela Vista e Várzea Grande.
A escolha do formato de oficina se deu pelo potencial de estimular, em um curto período, a reflexão crítica sobre sustentabilidade na construção civil. Pensada para acontecer em um único encontro, a atividade facilita a replicação em diferentes contextos educacionais e contribui para a valorização de técnicas construtivas tradicionais, ajudando a suprir a carência de mão de obra especializada.
O projeto resultou ainda em parcerias com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e contou com a colaboração do Crea Jr., fortalecendo o caráter interdisciplinar e institucional da iniciativa.
O guia, que integra os produtos educacionais do ProfEPT, será defendido e disponibilizado na Biblioteca Orlando Nigro no mês de fevereiro, ampliando o acesso ao conhecimento e reforçando o papel da educação pública na promoção de práticas sustentáveis.






