O domingo, que deveria ser dia de descanso, termina com sirenes, ambulâncias e acidentes envolvendo motociclistas em Cuiabá e Várzea Grande. Dados da Delegacia Especializada de Trânsito (Deletran) mostram que o dia é o mais perigoso da semana e integra um cenário que já deixou 67 mortos no trânsito em 2025.

O levantamento aponta que, de janeiro a novembro, os domingos concentraram o maior número de ocorrências com motocicletas nas duas cidades, superando os sábados e as sextas-feiras. De janeiro a novembro de 2025, o domingo registrou 30 acidentes envolvendo motocicletas em Cuiabá e Várzea Grande, sendo o dia mais crítico da semana. Em seguida aparecem sábado, com 27 ocorrências, e sexta-feira, com 25.
No mesmo período, 62% das mortes registradas no trânsito tiveram relação direta com o comportamento da própria vítima, em casos ligados principalmente a imprudência, excesso de velocidade e desrespeito às normas de circulação.
Os dados apontam ainda que os acidentes ocorrem em avenidas e rodovias. As vias com mais ocorrências são a Avenida das Torres, a Avenida D, Altos do Parque I, a Avenida Jurumirim, Avenida Dr. Meirelles, já as rodovias que mais aparecem são a BR-070 e a MT-060.
O delegado Christian Cabral da Deletran explica que os acidentes são normalmente causados por imprudências do próprio motociclistas.
“Os casos tratam de excesso de velocidade, avanço de sinal, ultrapassagens irregulares e manobras proibidas em canteiros, calçadas e áreas de canalização”, conta.
Outro fator que pode auxiliar nas ocorrências de acidente de trânsito são as obras que estão ocorrendo em toda Cuiabá e Várzea Grande. Cabral explica que a presença dessas obras causam interdições e obriga os condutores a buscarem uma via alternativa em uma tentativa de fugir da lentidão.
“O que acontece que nós já vimos em outros períodos, notadamente na época da Copa do Mundo, e estamos vendo repetir agora. Essas obras, elas criam retenções no trânsito e muitas vezes obrigam o fluxo de veículos a sair das grandes vias e trafegar em vias secundária, dentro de bairros, com vias de menores velocidades, fazendo que aumente o número de acidente de baixa ou nenhuma lesividade”, explica.

Fator que não acontece nas grandes vias, em que os corredores viários, permitem que os veículos trafeguem em velocidades mais elevadas e em melhores condições.
“Essa combinação de melhor condição de trafegabilidade com velocidade mais elevada faz com que em caso de acidente há um risco maior de letalidade. Porém, graças a essas obras e a redução da velocidade, podemos ter uma redução significativa no número de mortes em Cuiabá e Várzea Grande”, enfatiza.
Dentre as 750 mil motocicletas que trafegam em Mato Grosso em 2025, 113 mil estão em Cuiabá, 57 mil em Várzea Grande e outros 520 mil nos outros 142 municípios do estado.
“Em Cuiabá e Várzea Grande nós temos uma proporção de motocicletas circulando muito alta e isso é decorrente justamente do que nós estamos enfrentando com essas obras, devido à dificuldade locomoção, a um transporte público ineficiente, sucateado, de baixa qualidade e também do crescimento desordenado da cidade que obriga com que as pessoas todos os dias sejam obrigadas a vencerem grandes distâncias para acessarem serviços mínimos”, afirma o delegado.
Ele pontua que esse fator faz com que muitas famílias abandonem os carros e troquem por motocicletas.
“Enquanto Cuiabá e Várzea Grande não investirem em crescimento ordenado das suas cidades e em transporte público de qualidade, nós vamos ver o número de motocicletas crescer ano a ano e com isso nós vamos ver pessoas vindo a óbito ano a ano, porque a motocicleta é um transporte de alto risco. Não tem como falar de motocicleta e segurança no trânsito nos grandes centros”, finaliza.





