IPREFSUL investiu R$ 25 mil em consultoria antes de falência do Banco Master

O Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IPREFSUL) fez um investimento de R$ 7 milhões no Banco Master, que culminou em um processo de liquidação pela Polícia Federal. No ano passado, o instituto desembolsou R$ 25.675,05 para a consultoria Crédito & Mercado Gestão de Valores Mobiliários Ltda, que foi responsável por orientar esse investimento que acabou resultando em perdas financeiras devido à falência da instituição financeira.

Além do pagamento à consultoria, o IPREFSUL enviou um secretário-executivo a São Paulo (SP) entre 8 e 10 de outubro de 2025, para participar de um evento promovido pela Crédito & Mercado. O custo total das diárias para essa viagem foi de R$ 3 mil, e o evento abordou análises técnicas de investimentos voltados para Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Esses dados estão disponíveis no Portal da Transparência do instituto.

A falência do Banco Master foi determinada pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado, o que levou o IPREFSUL a buscar reaver o investimento por meio da Justiça. De acordo com os registros, o valor investido nas Letras Financeiras foi transferido em 25 de junho de 2024, e até novembro de 2025, o montante já havia crescido para R$ 8.207.397,82. Isso demonstra que, antes da falência, a aplicação parecia promissora.

A análise técnica realizada pela Crédito & Mercado, que tem sede em São Paulo, foi emitida em 18 de junho de 2024. O investimento tinha um prazo de 10 anos e uma taxa de retorno atrelada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais 7,20% ao ano, considerada excelente para o mercado de renda fixa. O parecer da consultoria, assinado por dois economistas, elogiava as referências do Banco Master, que posteriormente foram reveladas como enganosas.

O documento da análise indicava que a classificação de crédito do Banco Master, avaliada pela Fitch Ratings, era BBB, sinalizando baixo risco de inadimplência. Entretanto, a consultoria ressalta que a utilização de informações disponíveis em fontes públicas não a torna responsável pelas decisões de investimento e potenciais perdas. Em uma nota, a Crédito & Mercado afirmou que não recebeu qualquer remuneração vinculada à aprovação ou recomendação de aplicações financeiras.

A empresa enfatizou que sua análise foi baseada nas informações oficiais disponíveis na época e que, naquele momento, o Banco Master atendia aos requisitos necessários para receber recursos de RPPS, conforme reconhecido pelos reguladores e pelo mercado. Assim, a consultoria se distanciou de qualquer associação entre seu contrato e a falência do Banco Master, alegando que não obteve benefícios econômicos decorrentes das decisões de investimento do IPREFSUL.

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