O julgamento de Sérgio Roberto de Carvalho, ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, enfrenta reviravoltas na Bélgica. Carvalho e outros 30 réus são acusados de tráfico de drogas em um caso que a imprensa local descreve como um dos maiores da história.
A audiência, iniciada nesta semana, foi marcada por interrupções e tensões. No primeiro dia, uma contestação a uma prova apresentada pelo advogado de Flor Bressers, apontado como um dos líderes do esquema, suspendeu os trabalhos.
Na quinta-feira, a retomada da audiência foi breve. Uma discussão acalorada entre um advogado e o juiz Frederik Gheeraert culminou na expulsão forçada do defensor do tribunal. A situação gerou indignação entre os demais advogados, que teriam proferido ofensas ao magistrado. O juiz suspendeu a sessão, adiando o caso para acalmar os ânimos.
O incidente reverberou nas ordens dos advogados da Flandres e de Bruxelas, que manifestaram indignação. Nesta sexta-feira, o advogado de Carvalho, Frédéric Thiebaut, apresentou um pedido de impedimento contra o juiz Gheeraert, alegando o ocorrido na quinta-feira. Embora represente outros réus, o pedido partiu especificamente de Carvalho.
O caso, denominado “Dossiê Samba”, investiga um esquema de tráfico de drogas entre o Brasil e a Europa. A investigação aponta Bressers como líder do núcleo europeu e Carvalho como comandante do braço sul-americano, responsável por enviar a droga do Brasil para a Europa através do Paraguai.
Investigações indicam que Bressers teria lucrado € 230 milhões com dez carregamentos de cocaína, enquanto Carvalho teria arrecadado cerca de € 200 milhões. O caso teve início em 2020, com a apreensão de 3,2 toneladas de cocaína no porto de Roterdã, escondidas em um carregamento de minério de manganês proveniente do Brasil.
Carvalho foi preso na Hungria em 2023, portando um passaporte mexicano falso. Bressers foi detido em Zurique em 2022 e extraditado para a Bélgica. Promotores afirmam que a apreensão em Roterdã foi apenas a ponta do iceberg, suspeitando que a rede importou toneladas de cocaína entre 2019 e 2020.
O julgamento acontece em Bruxelas devido a preocupações com a segurança, após um pedido de transferência de Bruges. A sessão é realizada em um tribunal na antiga sede da OTAN.
No Brasil, a Polícia Federal estima que Carvalho movimentou R$ 2,25 bilhões entre 2018 e 2020, com a exportação de 45 toneladas de cocaína para a Europa. O ex-major, que já esteve envolvido em contrabando de pneus e uísque, foi condenado em 1998 por tráfico de drogas e expulso da Polícia Militar em 2018.
A imprensa belga aponta para a possibilidade de que outros advogados também solicitem o impedimento do juiz, o que poderia prolongar a paralisação do julgamento. A decisão sobre o pedido de impedimento é esperada para a próxima segunda-feira, após a qual será definida a data de retomada do processo.






