Julgamento de feminicídio em Campo Grande mobiliza familiares da vítima Kamylla

A família de Kamylla Scarllet Fernandes Cristaldo, que foi vítima de feminicídio em 2024, compareceu ao Tribunal do Júri de Campo Grande (MS) para assistir ao julgamento de Matheus Henrique de Oliveira Domingos, acusado de ser o responsável pelo crime. Flávio Cristaldo de Jesus, pai de Kamylla, expressou sua angústia e a expectativa de que a justiça seja feita, ressaltando que a perda da filha deixou um vazio profundo em sua vida. Ele afirmou: "Eu quero justiça, e eu não estou pedindo, estou clamando. Aqui é um pai, clamando que a justiça seja feita, que a justiça aconteça, porque o que ele fez com a minha filha não tem perdão".

Kamylla foi assassinada em setembro de 2024, deixando um filho ainda pequeno. A avó da jovem, Elizeth Fernandes Cristaldo, também esteve presente no julgamento e compartilhou sua dor, afirmando que chora todos os dias pela perda da neta. "Não tem um dia em que nós não choramos, em que eu não sinto o perfume dela, em que eu sinto ela me chamando no portão. Eu cuidava do bebezinho para ela trabalhar. Ele ainda espera pela mãe", declarou Elizeth.

Flávio afirmou que esteve ao lado da filha durante seus últimos meses de vida, enquanto ela se recuperava de ferimentos graves. "Não tem nada que apague da minha mente, eu, no último dia de vida da minha filha, segurando a mão dela e tendo que ver o último suspiro dela, antes de ela morrer", relembrou. Ele enfatizou a necessidade de um fim à violência contra as mulheres: "Chega de homens matarem mulheres. A mulher dá vida, a mulher gera. Basta de feminicídio, basta de violência".

O caso de Kamylla foi registrado inicialmente como homicídio simples, mas a situação mudou após a investigação da Polícia Civil, que identificou Matheus como o autor dos disparos. A apuração revelou que Kamylla havia recuperado a consciência durante a internação e conseguiu apontar o responsável pelo crime. A motivação foi relacionada a ciúmes envolvendo a amizade de Kamylla com a namorada de Matheus, e a hipótese de assalto foi descartada.

Matheus permaneceu foragido por mais de um ano e foi preso em outubro de 2025. Com o avanço das investigações, o caso passou a ser tratado como feminicídio. O julgamento do acusado ocorre nesta sexta-feira (2), e Flávio acredita que, apesar da dor irreparável, a justiça pode trazer algum alívio à situação. "Pena nenhuma vai trazer minha filha de volta, mas a justiça ainda pode ser feita". O desfecho deste caso é esperado por familiares e pela sociedade que clama por justiça.

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