Juros Altos Afogam Financiamento Imobiliário e MS Registra Queda Histórica

O mercado imobiliário de Mato Grosso do Sul enfrenta um período de retração significativa no volume de financiamentos habitacionais. Dados recentes revelam que o primeiro semestre deste ano registrou o pior desempenho dos últimos seis anos para o setor. Entre janeiro e junho, foram financiadas 2.069 unidades no estado, totalizando R$ 698,5 milhões em recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Este montante representa uma queda expressiva de 23,6% em comparação com o mesmo período de 2023, quando os financiamentos alcançaram R$ 914,9 milhões. A diferença é ainda mais acentuada em relação a 2022, ano em que os valores ultrapassaram R$ 1,29 bilhão.

Especialistas apontam o patamar elevado da taxa básica de juros (Selic) como o principal fator por trás dessa retração. O encarecimento do crédito imobiliário, resultante da alta da Selic, afasta potenciais compradores e impacta diretamente a capacidade de investimento no setor. A taxa de juros tem o objetivo de conter o consumo e a inflação, o que consequentemente afeta o investimento em bens duráveis.

Um comparativo com anos anteriores ilustra a magnitude da queda. Em 2020, mesmo com o início da pandemia, foram financiadas 2.395 unidades, somando R$ 569,820 milhões. O ano de 2021 registrou R$ 1,13 bilhão em financiamentos, distribuídos em 4.496 unidades. Em 2022, o volume atingiu o pico de R$ 1,29 bilhão, com 4.531 imóveis financiados. Já em 2023, houve um recuo para R$ 936 milhões, em 3.236 contratos.

A instabilidade do mercado também é visível na análise mensal. Após um início de ano com 351 unidades financiadas em janeiro e um crescimento em fevereiro, com 542 imóveis, março apresentou uma queda acentuada, com apenas 279 unidades. Abril apresentou uma leve recuperação, mas os resultados voltaram a cair em maio e junho, que se tornou o pior mês do ano, com apenas R$ 91,1 milhões liberados, menos da metade do registrado em junho de 2023.

A taxa média de juros do financiamento imobiliário no país se manteve acima de dois dígitos no período, variando entre 10% e 11% ao ano, um patamar considerado elevado em comparação aos anos de maior aquecimento do setor, quando o crédito imobiliário operava próximo de 7% ao ano.

A queda na captação de recursos na poupança, principal fonte de financiamento do SBPE, também contribui para o cenário. A baixa remuneração da poupança em relação aos juros de mercado tem levado a resgates e, consequentemente, à diminuição dos recursos disponíveis para financiamento imobiliário.

Apesar das dificuldades, a compra de imóveis continua sendo uma prioridade para muitas famílias. Especialistas aconselham que, mesmo com juros altos, é possível aproveitar imóveis com preços mais acessíveis e, no futuro, migrar o financiamento para condições melhores através da portabilidade.

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