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A moda parece voltar a falar alto, abandonando a estética minimalista e asséptica que dominou os últimos anos. Em vez disso, a tendência agora é exagerada, quente e intencionalmente imperfeita. Criadoras de conteúdo latino-americanas têm puxado esse imaginário para o centro da conversa, ressignificando e assumindo a estética “fubanga” com roupas nada discretas.
Sintomas de uma virada cultural, a ascensão do cinema brasileiro, a vitória de Bad Bunny no Grammy e sua apresentação no Super Bowl são eventos não isolados. Nós nunca consumimos tanta cultura latina como agora. O ritmo carioca, por exemplo, foi escolhido pela Rabanne para a campanha de verão 2025 da marca, em uma colaboração com o diretor francês Emmanuel Cossu e a fotógrafa e artista visual Melissa de Oliveira, nascida no Morro do Dendê, no Rio de Janeiro.
Na semana de moda de Nova York, no ano passado, a PatBO levou à passarela uma coleção intitulada “Alma Latina”. Mais recentemente, a FARM apresentou “Buena Gente”, uma coleção dedicada ao amor à diversidade latino-americana. Em um mundo atravessado por tensões geopolíticas, crises identitárias e disputas de poder, a expressão do orgulho em ser latino vai além do visual e se torna também um ato político. Diante de um cenário global que volta a valorizar padrões homogêneos e fronteiras rígidas, assumir o exagero, a cor e o ruído se torna uma forma simbólica de respeito às raízes e revela um desejo de pertencimento, voz e afirmação.



