Lula propõe negociações comerciais com a China durante Cúpula do Mercosul

Durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em 30 de outubro de 2023, em Assunção, Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que o bloco sul-americano inicie conversações com a China para estabelecer um acordo comercial. Em sua declaração, Lula destacou que o Mercosul está avançando nas negociações com países como Canadá, Índia e Vietnã. Ele também mencionou o lançamento de uma parceria econômica com o Japão e expressou o desejo de estreitar laços com a China, visando uma aproximação com mercados dinâmicos globalmente.

O presidente brasileiro aproveitou a ocasião para criticar o que classificou como “alinhamento automático” e “escolhas excludentes” entre os países. Lula enfatizou que nenhum país do Mercosul deve se sentir restrito por esse tipo de alinhamento, afirmando que a liberdade de ação não pode ser condicionada a tais escolhas. A cúpula contou com a participação dos Chefes de Estado do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia, marcando a transição da presidência do Paraguai para o Uruguai pelos próximos seis meses.

Antes de sua fala, Lula pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas dos terremotos na Venezuela. Na sequência, ele ressaltou a importância econômica e política dos 35 anos de existência do Mercosul, especialmente em um contexto global caracterizado pelo aumento do protecionismo e conflitos. O presidente frisou que a fragmentação da economia mundial traz desafios severos para o comércio, investimentos e desenvolvimento sustentável, tornando o Mercosul uma necessidade estratégica.

Lula também mencionou que, entre 1991 e 2025, o comércio intrabloco saltou de US$ 4,5 bilhões para US$ 50 bilhões, com exportações previstas para crescer 6% em 2025, totalizando US$ 770 bilhões. Ele reforçou que o Mercosul é a principal plataforma institucional na América do Sul, que representa 73% do território, 65% da população e cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

Adicionalmente, foram destacados os avanços nas negociações para o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido entre os países do Mercosul e seus Estados associados, que incluem a Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além de Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname. A cúpula também abordou a criação de um escritório regional da Interpol em Buenos Aires para o combate ao crime organizado, com o Brasil assumindo os custos da presença de delegados dos 12 países da região durante um ano, visando aumentar a coordenação no combate ao tráfico internacional de drogas.

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