O deputado federal Marcos Pollon, do PL, manifestou sua insatisfação após ser novamente punido com a suspensão de seu mandato na Câmara Federal. Ele argumenta que o Poder Judiciário interfere nas leis e impõe sanções por opiniões emitidas. Pollon destacou que a Câmara é a instância máxima da representação popular, onde se encontram 100% dos votos válidos. "O que ocorre aqui acaba sendo replicado em outras casas legislativas do Brasil", afirmou o parlamentar.
Pollon, que é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, citou o caso do vereador Cleiton Profeta, de Joinville (SC), que foi cassado por exercer seu papel de fiscalização e expressar sua opinião. O deputado avaliou que essa prática visa desestimular aqueles que se opõem ao sistema, enfatizando que ele e seus colegas não se deixarão intimidar. "Estamos sendo julgados porque nos levantamos por aqueles que não têm mais voz. Não teremos medo", declarou.
De acordo com informações divulgadas pelo deputado, a suspensão de seu mandato foi aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara, com nove votos a favor e quatro contra. O presidente do Conselho enfatizou que Pollon ainda não está suspenso, pois ele pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC), onde poderá apontar erros no processo que levou à sua punição. A situação também requer a votação do plenário da Câmara dos Deputados.
O relator do caso, deputado Ricardo Maia, do MDB, justificou a recomendação de suspensão com base em um discurso que Pollon fez em 3 de agosto, em Campo Grande, durante uma manifestação a favor da anistia. Maia ressaltou que a liberdade de discurso é um direito fundamental e uma função essencial do mandato, sendo integralmente protegida pela Constituição, independentemente do conteúdo expresso.
Pollon enfrenta também uma segunda representação ética, que está em fase recursal na CCJC e aguarda a designação de um relator. O deputado recorre contra a decisão que recomendou a suspensão por dois meses, decorrente de sua ocupação da mesa diretora em defesa dos presos de 8 de janeiro. Apesar da participação de mais de 100 parlamentares no ato, apenas três deles foram alvo de representação ética. Em contraste, parlamentares da oposição realizaram ocupações semelhantes em 17 ocasiões nos últimos anos, sem sofrer punições.






