Marlene Ortiz: acolhimento humanizado na unidade de perícia em Amambai

Marlene Ortiz desempenha um papel crucial na Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI) em Amambai, onde acolhe pessoas que chegam em situações delicadas. Recentemente, ela interagiu com uma criança que estava relutante em participar do exame na Polícia Científica. Para quebrar o gelo, Marlene começou a desenhar uma gatinha, o que ajudou a criança a se acalmar e a seguir para o atendimento. Essa abordagem lúdica demonstra como a técnica pode facilitar o processo de acolhimento e exame.

Nascida e criada na aldeia do município, Marlene é indígena e possui formação como pedagoga e técnica de enfermagem. Desde 2024, ela integra a equipe da URPI, em uma parceria com a prefeitura, levando sua experiência em lidar com crianças, mulheres, gestantes e idosos da própria comunidade. Sua habilidade de falar guarani é um diferencial, permitindo que se comunique com aqueles que têm dificuldade em expressar suas necessidades em português. Essa conexão linguisticamente cultural fortalece a confiança dos atendidos.

A presença de Marlene na unidade se tornou uma referência para as famílias que buscam suporte, seja para obtenção de documentos, orientações sobre exames de DNA ou situações de luto. Muitas vezes, quando indígenas chegam à unidade, eles a procuram imediatamente, reconhecendo-a como um ponto de apoio. Marlene relata que, mesmo quando não está presente, as pessoas a chamam para esclarecer dúvidas e transmitir informações.

Além de atender diretamente os indígenas, Marlene também auxilia servidores na compreensão de mensagens em guarani, facilitando a comunicação em atendimentos fora da unidade. Sua formação e vivência comunitária a capacitam a lidar com pessoas que chegam com medo, insegurança ou sofrimento, adaptando sua abordagem às necessidades de cada um. No caso da criança, por exemplo, ela optou por iniciar o atendimento com um desenho, antes de fazer perguntas mais complexas.

Nos casos que envolvem violência, Marlene desempenha um papel importante no acolhimento e na comunicação. Enquanto os procedimentos periciais são realizados pelos profissionais da Polícia Científica, sua função é garantir que a pessoa se sinta segura e respeitada durante todo o processo. A unidade de Amambai atende uma população de 9.988 indígenas, que representa 25,4% do total de habitantes, conforme dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Amambai, que possui o terceiro maior número de indígenas em Mato Grosso do Sul, reconhece o Guarani Kaiowá como língua cooficial desde 2024. A unidade também recebe demandas de municípios vizinhos como Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru. Marlene demonstra uma disposição admirável para ajudar não apenas sua comunidade, mas todos que necessitam de apoio, afirmando: "Eu vejo que muitas pessoas têm dificuldade. Estou aqui para ajudar qualquer pessoa que precise."

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