Mato Grosso do Sul projeta um dos maiores crescimentos econômicos do país para este ano, mas enfrenta um desafio crescente: a falta de profissionais qualificados para atender à demanda do mercado. Segundo o especialista em Gestão de Pessoas e Recrutamento Executivo, Carlos Ornellas, o estado precisa investir na formação de talentos locais e tornar-se mais atraente para reter lideranças, especialmente nas regiões fora dos grandes centros urbanos.
A expansão agroindustrial, impulsionada por fábricas de celulose, usinas de etanol e frigoríficos, tem superado a capacidade de formação técnica e atração de profissionais qualificados, criando um descompasso que pode ameaçar o ciclo de desenvolvimento. A projeção de alta de 5,3% no Produto Interno Bruto (PIB) para o estado em 2025, mais que o dobro da média nacional, demonstra o ritmo acelerado da economia local.
O avanço é sustentado pelo agronegócio, pela consolidação da agroindustrialização e pelos investimentos em infraestrutura logística. A diversificação da matriz agrícola e produtiva tem gerado um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico e social.
A falta de mão de obra especializada é sentida em todos os setores, desde a agricultura e pecuária até a agroindústria, construção civil, varejo, saúde, transporte e logística. A situação é ainda mais crítica nas regiões do interior, onde a velocidade da expansão econômica ultrapassou a capacidade local de formação técnica.
No setor agroindustrial, o desafio é formar e reter profissionais com competências técnicas e operacionais para plantas industriais de alta complexidade. A transição do campo para a indústria exige capacitação em processos automatizados, domínio de tecnologias industriais e gestão da cadeia produtiva. Atrair lideranças qualificadas para localidades remotas também se mostra uma barreira para o pleno aproveitamento do potencial agroindustrial.
O setor florestal, impulsionado pela expansão da silvicultura e do processamento de celulose, enfrenta escassez de mão de obra qualificada, assim como frigoríficos, usinas de etanol, produção de grãos, bioenergia, construção civil, varejo, serviços, logística e transporte.
Em 2024, o estado encerrou o ano com mais de 24 mil vagas de trabalho não preenchidas, sendo a indústria o setor mais impactado. A ausência de centros formadores regionais e a baixa atratividade do interior para profissionais de outras partes do país contribuem para essa escassez.
Atrair executivos para cidades do interior exige atenção à qualidade de vida, acesso à educação, infraestrutura de saúde e oportunidades para cônjuges. Empresas que oferecem programas de integração familiar, apoio à mobilidade e trilhas de carreira claras conseguem manter talentos por mais tempo.
A deficiência em infraestrutura básica no interior, como rodovias e aeroportos, somada à oferta limitada de serviços essenciais, dificulta a fixação de profissionais qualificados. É fundamental fortalecer a integração entre as demandas do agronegócio e a grade curricular dos cursos técnicos e universitários.





