Mau Cheiro Intenso Preocupa Moradores e Acende Alerta Sobre Riscos à Saúde

O forte odor que persiste na região oeste de Campo Grande, afetando cerca de 100 mil moradores, pode ter origem em um gás prejudicial à saúde. A suspeita foi levantada pela engenheira ambiental Kamilla Ajala, que alerta para os potenciais impactos ambientais e de saúde pública decorrentes da situação. Moradores relatam que o mau cheiro, comparado ao de ovo podre, tem causado transtornos significativos e desvalorização de imóveis.

Segundo a especialista, o odor característico pode ser resultado da emissão de sulfeto de hidrogênio (H2S), um gás tóxico que, em altas concentrações, pode levar à perda de consciência e até à morte. Além dos riscos à saúde humana, o H2S pode se converter em dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera, contribuindo para a formação de chuva ácida e outros problemas ambientais.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga as condições da unidade fabril desde 2023, tendo constatado irregularidades como vazamento de fumaça. Uma das medidas recomendadas para mitigar o problema é a instalação de uma cortina arbórea, uma barreira vegetal que, segundo a engenheira, pode ser eficaz se houver manutenção adequada do sistema operacional.

O MPMS chegou a propor um termo de ajustamento de conduta (TAC), que foi recusado pelos representantes da empresa em maio do ano passado. A especialista sugere que, diante da alegada falta de cumprimento das leis ambientais, o poder público intensifique a fiscalização e aplique multas, como forma de incentivar a empresa a adotar práticas mais responsáveis.

Paralelamente, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) analisa um projeto de decreto legislativo que pretende suspender duas licenças de operação da fábrica, sob a alegação de que o processamento de subprodutos está causando danos ambientais e sociais. O projeto já tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e aguarda parecer do relator.

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