Mecânico nega posse de arsenal de R$ 30 mil e alega abandono por caçadores

Rene da Silva Oliveira, mecânico de 54 anos e caçador, foi detido pela Polícia Militar no Assentamento Nova Esperança, em Bandeirantes, localizado a 70 quilômetros de Campo Grande. A apreensão do arsenal, avaliado em R$ 30 mil, ocorreu após uma denúncia sobre a presença de veículos suspeitos e um homem armado na propriedade rural. Durante a abordagem, a equipe do Batalhão de Choque encontrou duas espingardas de calibres .38 e .357, além de uma arma de pressão e munições espalhadas pela casa.

Em seu depoimento à Polícia Civil, Rene alegou que o armamento encontrado não lhe pertence e que as espingardas foram abandonadas por caçadores que frequentemente frequentam a área. Segundo ele, as armas foram deixadas em seu milharal ao perceberem a aproximação das viaturas policiais. O mecânico afirmou que sua única arma registrada, uma espingarda calibre 12, não estava na propriedade, mas sim em sua oficina mecânica em Campo Grande, e admitiu a posse apenas das munições de calibre 12, que possui nota fiscal de compra.

Além de Rene, seu sobrinho Gabriel Antônio Guimarães da Silva, de 25 anos, foi preso durante a operação. Gabriel, que é militar do Exército, estava portando uma pistola Glock 9mm na mochila, mas não apresentou o registro físico ou o porte no momento da abordagem. Ele contestou a versão da polícia, afirmando que a arma está devidamente cadastrada em seu nome no sistema do Exército e que apresentou o documento de forma digital pelo celular.

Após a detenção, a defesa dos dois acusados protocolou um pedido de liberdade provisória na Justiça. Os advogados argumentam que não há necessidade de manter a prisão preventiva, uma vez que ambos são réus primários e têm residência fixa, além de ocupações lícitas. Rene trabalha como mecânico autônomo e Gabriel é integrante das Forças Armadas.

A defesa sustenta que não houve intenção de ocultar armamento ilegal e que as espingardas encontradas não pertencem a Rene. Quanto à posse das munições de calibre 12, a defesa reafirma que está respaldada por notas fiscais e pelo registro de CAC de Rene. O pedido de liberdade não inclui a exigência de fiança, sugerindo alternativas cautelares em vez da prisão.

O caso levanta questões sobre a posse de armamento e as implicações legais para caçadores e atiradores em situações semelhantes, especialmente em áreas onde a caça é comum. As investigações continuam enquanto as defesas aguardam uma decisão judicial sobre os pedidos de liberdade.

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