A Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, tem um índice satisfatório de médicos para cada mil habitantes, com 5,2 profissionais para essa população. No entanto, essa realidade não se reflete em um atendimento rápido e eficiente para todos os cidadãos. A falta de médicos disponíveis para atender em prontos socorros e consultas com especialistas por planos de saúde é um problema recorrente.
O presidente do Sinmed (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana Silveira, reconhece a realidade das unidades públicas e do acesso pago pela saúde suplementar. Ele destaca que a elitização e a segregação da categoria por dentro são fatores que explicam o descompasso e não incluem a necessidade de formar mais médicos. A divisão da Medicina em castas, onde os médicos mais gabaritados atendem em hospitais privados e consultórios particulares, é um problema grave.
Esse movimento é nacional e começou em 1993, após a extinção do Inamps e a criação do SUS. Antes, os médicos tinham uma remuneração mais adequada para atender no sistema público e podiam mesclar esse atendimento com o privado. Hoje em dia, os planos de saúde não são bem vistos como alternativa viável por muitos médicos porque o valor da consulta repassado pelas operadoras não sustenta os custos da atividade e não deixa margem de lucro.
A espera por uma consulta com especialistas pode chegar a três meses, especialmente em áreas como neuropediatria, endocrinologia e reumatologia. Isso ocorre entre as especialidades que têm um menor número de profissionais disponíveis e têm uma formação mais difícil de acessar. O mesmo acontece na busca por especialistas na rede pública, onde a espera pode chegar a um ano ou mais.
A população também tem culpa por inflar as filas, pois boa parte dos pacientes poderia procurar uma USF para serem atendidos ou tentar agendar uma consulta na mesma semana em vez de ir para as UPAs, CRSs e unidades de pronto atendimento dos planos de saúde. A telemedicina e a expansão de serviços de saúde no interior do Estado têm melhorado a situação, mas muitas coisas precisam avançar junto.
A industrialização e a integração da Capital à Rota Bioceânica podem piorar a situação, pois a população vai crescer e precisamos olhar para a Saúde. Sem um projeto de ampliação dos hospitais da rede pública e privada, poderemos sofrer muito mais.



