O deputado federal Marcos Pollon (PL) afirmou que sua participação no motim da oposição na Câmara, em agosto de 2025, esteve relacionada a um episódio de hiperfoco, característica associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pollon responde a um processo no Conselho de Ética que pode resultar na suspensão de seu mandato. Durante a ocupação, o parlamentar impediu que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se sentasse na cadeira da presidência no plenário.
“Acredito que a minha participação na ocupação da Câmara esteve relacionada a um episódio de hiperfoco, característica que eu tenho. Isso é reconhecido pela própria Junta Médica da Casa. Eu tenho direito a um acesso a mais de plenário para me acompanhar por conta desse hiperfoco”, declarou Pollon em reunião no Conselho de Ética. O parlamentar repetiu sete vezes que teve “hiperfoco” no momento da ocupação.
De acordo com Pollon, ele estava focado em obter um acordo para a desocupação da Câmara e não percebeu a presença do presidente Motta no plenário. “Eu estava com hiperfoco nisso e posso ter certeza de que ele não falou: ‘Ó, vamos sair porque o presidente está aqui’, nem ‘Vamos ficar porque o presidente está aqui'”, disse o deputado.
O motim da oposição ocorreu em agosto de 2025, quando deputados e senadores pressionavam pela votação do chamado “Pacote da Paz”, apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A proposta reunia o então Projeto de Lei da Anistia, que posteriormente foi aprovado como um texto que reduziu as penas dos condenados pela trama golpista, além de um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado.
Os parlamentares permaneceram por mais de 30 horas ocupando a mesa da presidência do plenário e chegaram a impedir Motta de se sentar e dar início à sessão. O acordo para a desobstrução foi articulado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Líderes do Centrão e da oposição recorreram a ele para negociar a liberação da Mesa Diretora, com a condição de que Lira insistisse junto a Motta para pautar o projeto da anistia.
O episódio foi encaminhado à Corregedoria da Câmara. A comissão está no período de ouvir testemunhas, enquanto os acusados pelo motim apresentam as defesas.



