MPMS Aperta o Cerco à Corrupção em Prefeituras Sul-Mato-Grossenses: Operação em Bonito

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) intensificou o combate a crimes de corrupção em prefeituras e câmaras municipais do estado, com o lançamento de mais uma operação contra fraudes e desvio de recursos públicos.

Desta vez, o foco da investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) recaiu sobre a prefeitura de Bonito, um renomado destino turístico ecológico. O esquema sob investigação envolve suspeitas de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados.

Os contratos sob investigação em Bonito totalizam R$ 4,39 milhões. O MPMS apura se houve desvio de recursos públicos através de conluios empresariais e corrupção de agentes públicos.

A operação, batizada de “Águas Turvas” em alusão à reputação da cidade por suas águas cristalinas, cumpriu quatro mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Campo Grande, Bonito, Terenos e Curitiba (PR). Foram presos o secretário de Finanças de Bonito, Edilberto Cruz Gonçalves; o arquiteto Carlos Henrique Sanches Corrêa, fiscal de finanças; e Luciene Cíntia Pazette, responsável pelo setor de licitações e contratos. Um empresário, apontado como beneficiário dos contratos fraudulentos, está foragido.

Embora servidores de alto escalão estejam envolvidos, o prefeito de Bonito, Jusmail Rodrigues, não foi alvo da operação.

A ação do Gecoc em Bonito faz parte de uma série de operações realizadas ao longo do ano em diversas cidades do Mato Grosso do Sul. Desde o início do ano, dez municípios e uma câmara municipal foram alvos de investigações por suspeitas de corrupção.

Em Miranda, o MPMS também investiga crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As empresas vencedoras das licitações, em alguns casos, não possuíam sede própria ou funcionários, levantando suspeitas sobre a lisura dos processos.

No mês passado, a Operação Spotless, em Terenos, resultou na prisão preventiva do prefeito Henrique Budke, afastado do cargo sob suspeita de liderar um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propina através de contratos que somavam R$ 15 milhões. As licitações eram consideradas “de cartas marcadas”, com vencedores previamente definidos. Além do prefeito, outras 25 pessoas foram denunciadas.

Outras cidades como Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia e Nioaque também tiveram contratos da administração pública investigados. Em Aquidauana, o alvo foi a Câmara Municipal, sob suspeita de fraude em licitação.

O Gecoc teve sua estrutura reforçada devido ao grande número de inquéritos para apurar casos de corrupção no estado.

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