Mato Grosso deve manter a liderança nacional na produção de grãos na safra 2025/26, com destaque para soja, milho e algodão, segundo estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Apesar do dado positivo, o setor deve enfrentar um cenário de pressão sobre os preços, influenciado pela queda do dólar, maior oferta interna e custos elevados de produção e logística.
O estado segue como o maior produtor de soja do país, com produção estimada em 50,52 milhões de toneladas, resultado de uma área projetada em 13,01 milhões de hectares e produtividade média de 64,73 sacas por hectare. Mesmo com esse volume expressivo, a projeção indica leve retração de 0,76% em relação à safra anterior.
Na produção de milho, Mato Grosso também deve manter a liderança, com estimativa de 51,72 milhões de toneladas na safra 2025/26. A área plantada foi mantida em 7,39 milhões de hectares, mas a produtividade segue sob incerteza por conta das previsões climáticas, contribuindo para uma projeção 6,70% menor que o ciclo anterior.
Já no algodão, o estado reduziu a área cultivada e agora aponta para uma produção em área estimada de 1,42 milhão de hectares, retração de 8,06% na comparação anual. Já a produção de pluma deve alcançar 2,56 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 15%. Essa diminuição pode estar vinculada aos elevados custos de produção frente a uma menor atividade econômica para o produtor.

Preços seguem pressionados
Os preços das principais commodities agrícolas em Mato Grosso seguem pressionados, mesmo diante da liderança na produção. Um dos principais fatores está na valorização do real frente ao dólar, contribuindo para uma oscilação negativa nos valores. Esse movimento impacta diretamente um estado fortemente dependente do mercado externo para o escoamento de sua produção.
A soja é negociada, em média, a R$ 100,02 por saca, após queda semanal de 2,53%, influenciado pelo recuo do dólar. Já o milho fechou a última semana a R$ 46,66 por saca, com retração de 1,30% diante da maior oferta no estado. No algodão, a pluma é cotada em torno de R$ 123,45 por arroba, enquanto o preço do óleo de algodão registrou queda de 11,54%, apontando para um enfraquecimento da demanda.
Outro fator que pesa sobre a rentabilidade é o custo logístico. O frete de grãos no trecho entre Sorriso e Miritituba alcançou R$ 317,32 por tonelada. Além disso, os custos de insumos e custeio seguem em alta, reduzindo a margem financeira do produtor rural.
Ainda de acordo com relatórios do Imea, o cenário para os próximos meses direciona para produção robusta, mercado pressionado e margens de lucro reduzidas. Com isso, o produtor deve equilibrar os altos volumes de produção com a sustentabilidade econômica da atividade no campo.



