Mudança do Centro Pop em Campo Grande Causa Alerta em Comunidade Escolar

A transferência do Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop) de Campo Grande para a rua Orfeu Baís, na unidade operacional da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), tem gerado forte preocupação na vizinhança, especialmente em relação às escolas próximas.

A principal apreensão reside no fato de que o Centro Pop atende pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo dependentes químicos. A proximidade da Escola Municipal José Rodrigues Benfica e do Centro de Recreação Escolar Lápis Encantado, ambos localizados nas imediações, acentuou o receio de pais e funcionários.

A Escola Municipal José Rodrigues Benfica, situada em frente à futura instalação do Centro Pop, enfrenta uma situação particularmente delicada. Um funcionário da escola, que preferiu o anonimato, relatou o temor de que a mudança aumente a insegurança, já que a região é conhecida pela presença de moradores de rua. A ausência de guardas escolares também agrava a sensação de vulnerabilidade, especialmente para alunos que chegam mais cedo ou saem mais tarde.

Há relatos de pais considerando a transferência de seus filhos para outras instituições. Segundo o funcionário, a comunidade local chegou a organizar um abaixo-assinado contra a mudança.

A prefeitura confirmou a transferência do Centro Pop, alegando que a realocação está em andamento e que a nova unidade será entregue em um prazo menor que os 30 meses inicialmente previstos.

A mudança de endereço foi motivada por uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) devido a irregularidades encontradas nas instalações atuais do Centro Pop. O MPMS apontou a necessidade de reparos nas instalações sanitárias, rede de esgoto, chuveiros, ampliação da estrutura de banho, adaptações de acessibilidade, inclusão de novos profissionais, restabelecimento do fornecimento de passagens e implantação de uma nova residência inclusiva para pessoas com deficiência.

Embora o MPMS tenha obtido uma decisão judicial favorável em junho, obrigando a prefeitura a cumprir as obrigações estabelecidas em um acordo extrajudicial, uma nova vistoria revelou que os pontos não foram integralmente cumpridos. O MPMS solicitou à Justiça a aplicação imediata de uma multa diária de R$ 10 mil pelo descumprimento, aguardando decisão judicial.

A prefeitura alega ter adotado medidas para melhorar o espaço, como a instalação de banheiros químicos, contêineres, a criação de uma nova Residência Inclusiva e o restabelecimento do fornecimento de passagens.

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