A proposta de fim da escala 6×1 traz preocupações significativas para os comerciantes de Campo Grande, especialmente para aqueles que operam em shopping centers. De acordo com a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL-CG), a nova legislação afetará diretamente a rigidez operacional do setor. O presidente da entidade, Adelaido Vila, destacou que, ao contrário do comércio de rua, os lojistas em shoppings são obrigados a funcionar 12 horas por dia, sete dias por semana. A falta de flexibilidade proporcionada pela escala 6×1 implicaria em um aumento de custos, uma vez que seria necessário contratar até 20% mais funcionários para cobrir as folgas, sem que as vendas aumentassem.
Adelaido Vila ressaltou que o impacto financeiro pode ser alarmante, sugerindo que a inviabilidade do negócio é uma das principais preocupações. “O maior perigo não é a redução da jornada, mas a inviabilidade do negócio. Se o custo fixo sobe e a margem some, veremos o aumento das lojas fechadas, o que prejudica a arrecadação e o emprego que a lei diz querer proteger”, afirmou.
A presidente da Associação do Lojistas do Shopping Campo Grande, Aline Queiroz, também expressou cautela em relação a essa mudança. Ela destacou que a situação gera preocupação tanto entre os trabalhadores, que buscam melhor qualidade de vida, quanto entre os empresários, que estão avaliando os impactos econômicos e operacionais de uma possível alteração na jornada de trabalho. Aline enfatizou que a postura predominante é de cautela, uma vez que a proposta ainda precisa ser aprovada nas instâncias legislativas.
Além disso, Aline Queiroz mencionou que, em alguns casos, a adaptação poderá ser inviável. “No meu caso, administro lojas com estruturas diferentes. Em uma delas, tenho apenas três colaboradores. Dependendo do modelo aprovado, a contratação de novos funcionários poderá tornar a operação inviável”, explicou. Ela também alertou que, apesar de cada empresa ter a expectativa de manter seus ganhos, o aumento da inflação pode reduzir o poder aquisitivo, o que já se faz sentir nos primeiros dias.
A proposta aprovada na Câmara Federal altera a jornada de trabalho, eliminando a escala 6×1 e introduzindo a 5×2, que garante duas folgas semanais. As empresas terão um período de 14 meses para se adaptar às novas normas. Contudo, dois meses após a promulgação da emenda constitucional, os trabalhadores contratados sob a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) terão direito a dois dias de descanso semanal remunerado. A carga horária semanal será reduzida de 44 para 42 horas e, após um ano da primeira redução, passará para 40 horas semanais. Durante o período de adaptação, negociações entre empresas e sindicatos poderão ocorrer para reorganizar horários e escalas, respeitando os limites estabelecidos pela nova legislação.






