Graziele sempre sonhou em ser mãe e imaginou o momento em que uma criança pequena correria para abraçá-la ao chegar em casa. Entretanto, a realidade superou suas expectativas ao receber um abraço de uma menina de 11 anos, que, aos poucos, transformou a dinâmica familiar e trouxe um novo "brilho" para a casa, segundo a mãe. O vínculo entre elas foi se formando gradualmente, com a aproximação sendo mais rápida com o pai. Graziele levou mais tempo para conquistar a confiança da filha, mas, após cerca de seis meses de convivência, teve a alegria de ver a menina correr até ela e abraçá-la espontaneamente. "Era um sonho que eu tinha", relembra Graziele, hoje com 38 anos, ao descrever esse momento especial que se concretizou de maneira natural e gradual.
Essa experiência reflete uma mudança significativa percebida pela Justiça em Mato Grosso do Sul. A juíza Katy Braun, da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande, aponta que os pretendentes à adoção têm ampliado seus perfis, mostrando maior disposição para acolher crianças mais velhas e grupos de irmãos. Contudo, o desafio persiste. Atualmente, 104 crianças e adolescentes estão aptos para adoção no estado, sendo que 74 deles têm entre 12 e 17 anos, o que representa aproximadamente 70% do total que aguarda uma família.
Graziele e seu marido, casados há 15 anos e juntos por 21, enfrentaram a infertilidade antes de considerar a adoção como uma alternativa. Uma reflexão durante a terapia, quando a psicóloga questionou se ela desejava engravidar ou ser mãe, foi crucial para que o casal abrisse suas mentes a outras possibilidades de formar uma família. A partir desse momento, entenderam que o amor pode se manifestar de várias maneiras, independentemente da gravidez.
No que diz respeito à Adoção Internacional, nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul registrou apenas oito adoções desse tipo, frente a 524 adoções nacionais. Os números mostram que a Adoção Internacional representa uma parcela pequena do total, embora a série de dados não permita afirmar que essa modalidade esteja em queda. Katy Braun ressalta que a Adoção Internacional é residual, ocorrendo quando não há pretendentes brasileiros interessados nas crianças disponíveis. No passado, crianças mais velhas, grupos de irmãos e aquelas com necessidades especiais tinham mais chances de serem adotadas por estrangeiros, devido à resistência dos brasileiros a esses perfis. Com a mudança nas preferências dos adotantes brasileiros, parte dessa realidade evoluiu, mas ainda há desafios, especialmente para adolescentes e crianças com problemas de saúde que continuam à espera de uma família. "Tudo aquilo que os estrangeiros podiam nos oferecer, os próprios brasileiros estão oferecendo", conclui a juíza.





