Amandha Karolina Lopes dos Santos, de 25 anos, presa em flagrante após atropelar um homem de 36 anos na Vila Marcos Roberto, em Campo Grande, afirmou em depoimento à Polícia Civil que jogou o carro contra a vítima, mas alegou que a intenção era apenas assustá-la. Ela também negou que o marido ou o primo tenham efetuado os disparos que atingiram o homem. O caso, registrado como tentativa de homicídio, ocorreu na Rua Bom Sucesso, na noite de terça-feira (3).
Segundo o relato de Amandha, os conflitos entre as famílias duram mais de 15 anos e envolvem ameaças, ofensas e desentendimentos de vizinhança. A avó dela, de 75 anos, que enfrenta um câncer, teria sido ameaçada diversas vezes pelo casal, o que levou os familiares a registrar boletins de ocorrência há cerca de um ano. Na semana anterior ao crime, uma discussão terminou com acionamento da Polícia Militar, e, depois disso, o homem atropelado teria ameaçado parentes e a idosa, inclusive com uma arma de fogo.
No dia do crime, Amandha contou que estava na casa da avó quando houve outro desentendimento envolvendo o homem e seu primo. Ela saiu acompanhada do marido e do familiar e encontrou a vítima próxima de uma conveniência. Desceu do carro para questioná-lo sobre as ameaças contra a avó, e o homem teria reagido com xingamentos e ameaças de morte, dizendo que buscaria um revólver para matar todos. Segundo ela, ele arremessou uma garrafa contra o veículo, e, durante uma manobra, ela acabou atingindo uma das pernas dele. Inicialmente negou ter passado por cima da vítima, mas depois admitiu acreditar que o atingiu com o carro.
Após o atropelamento, ela deixou o local com o marido e o primo e, ao chegar à casa da avó, contou aos familiares que havia feito algo errado. A mulher negou que o marido tenha atirado e afirmou que nenhum dos três estava armado. Foi confrontada com a versão do homem e da companheira dele, que apontaram um dos passageiros como responsável pelos tiros. De acordo com o relato da vítima, o suspeito ainda tentou disparar contra sua cabeça, mas a arma falhou.
A Polícia Científica encontrou no local um projétil de calibre .38, recolhido para análise, e identificou câmeras de monitoramento nas proximidades, inclusive na conveniência. O Corsa foi localizado na casa da motorista, na Rua do Minuano, sem armas no imóvel, e passou por perícia e exame papiloscópico. A vítima foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada à Santa Casa, com ferimento grave no pé direito e marcas de tiros no quadril. A motorista permaneceu presa na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, enquanto os outros dois suspeitos não haviam sido localizados.





