Uma grande ação de recuperação ambiental está em andamento no norte de Mato Grosso do Sul. O projeto Caminhos das Nascentes, liderado pelo Instituto Taquari Vivo (ITV), iniciou a primeira fase de seu maior trabalho de campo: o plantio de 40 hectares no Núcleo São Thomaz, dentro do Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, entre os municípios de Costa Rica e Alcinópolis. A área é considerada fundamental para o bioma pantaneiro e a bacia do Rio Taquari.
A semeadura é realizada em parceria com a empresa Restaura, utilizando mais de quatro toneladas de sementes reunidas pela Rede Flor do Cerrado. A técnica busca acelerar o retorno da vegetação típica na região das nascentes, considerada uma das áreas mais sensíveis do planalto sul-mato-grossense e estratégica para reduzir processos erosivos que afetam diretamente o Pantanal.
Entre as espécies nativas utilizadas na semeadura estão o jatobá, o mutambo, o mogno-bravo, a sucupira, o baru, a faveira e diversas gramíneas e leguminosas essenciais para a recomposição do solo. A equipe do projeto iniciou o plantio manual, linha por linha, cobrindo toda a área prevista para esta fase inicial.
O mutirão reúne diversas instituições, como SOS Pantanal, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e as prefeituras de Costa Rica e Alcinópolis, além da comunidade do parque em que a semeadura está sendo realizada.
Segundo o ITV, a área foi escolhida por apresentar um alto grau de degradação e diferentes níveis de declividade, característica que torna o processo de erosão e transporte de sedimentos mais intenso. “Escolhemos esse local pelo seu grau de degradação. Há áreas planas e outras muito inclinadas, onde o assoreamento avançou bastante ao longo dos anos. Restaurar aqui significa atuar na raiz do problema”, explica a bióloga Letícia Koutchin Reis, coordenadora do projeto.
A restauração não reverte aquilo que já aconteceu, mas diminui os impactos e impede que o problema piore. Quando recuperamos o solo, devolvemos cobertura vegetal e aplicamos técnicas de conservação, reduzimos a velocidade da água e seguramos o sedimento lá em cima. Isso faz diferença direta no bioma”, afirma Letícia Reis.
A ação é possível graças ao projeto Floresta Viva, gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e patrocinado pela Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o KfW, banco alemão estatal de desenvolvimento e fomento.






