Enquanto a atenção se volta para a transformação digital, um fenômeno preocupante chamado Shadow AI vem ganhando espaço nas empresas brasileiras. Essa prática se refere ao uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) sem a aprovação e o controle da liderança, muitas vezes sem que os gestores tenham conhecimento. O problema é que informações sensíveis podem ser expostas e utilizadas de maneira inadequada, criando riscos de segurança e compliance.
Dados recentes do Cloud and Threat Report da Netskope revelam que, em média, uma empresa brasileira enfrenta 223 incidentes mensais de violação de políticas de dados relacionados à IA generativa, um número que mais que dobrou em comparação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a adoção de IA nas organizações aumentou significativamente, passando de 20% para 51% em um curto período, indicando que o crescimento no uso das tecnologias de IA está ocorrendo mais rapidamente do que a capacidade das empresas de gerenciar esse uso.
Uma pesquisa do IBM Cost of a Data Breach Report 2025 aponta que 87% das empresas no Brasil ainda não possuem uma política formal de governança de IA. Essa realidade gera uma situação alarmante: a maioria dos trabalhadores já utiliza ferramentas de IA no dia a dia, enquanto as organizações não têm diretrizes claras para regular esse uso. A falta de controle pode resultar em sérias consequências, incluindo vazamentos de dados e problemas de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O fenômeno do Shadow AI se manifesta em situações cotidianas que gestores podem facilmente identificar. Por exemplo, um analista financeiro pode usar uma IA pessoal para resumir a projeção do conselho, enquanto um membro da equipe comercial pode inserir dados do CRM em uma ferramenta externa para facilitar uma proposta. Além disso, desenvolvedores podem colar trechos de código proprietário em aplicativos externos para resolver problemas mais rapidamente, e profissionais de RH podem utilizar geradores de conteúdo fora do escopo corporativo.
A solução para mitigar os riscos do Shadow AI envolve a criação de uma infraestrutura de IA controlada, que atenda às necessidades dos colaboradores sem comprometer a segurança da informação. Isso inclui identificar quais ferramentas de IA estão sendo utilizadas, quais contas estão acessando esses recursos e que tipo de dados estão sendo processados. Após esse diagnóstico, as empresas podem desenvolver alternativas que ofereçam soluções internas, seguras e auditáveis.
A discussão sobre a formalização de políticas de uso de IA é essencial para que tais documentos não se tornem apenas uma formalidade esquecida. É fundamental que as organizações estabeleçam diretrizes claras que orientem o uso da IA de forma responsável e segura. Uma reflexão importante para as empresas é: se questionadas sobre as ferramentas de IA em uso e as informações que já foram inseridas nelas, estariam preparadas para responder com precisão?






