Vivemos em um mundo onde a corrupção visível é condenada, mas a corrupção invisível é tolerada. A primeira assume a forma de escândalos políticos e corrupção de cargos, enquanto a segunda se manifesta em promessas descabidas e soluções rápidas que dispensam tempo, processo e verdade. Essas promessas são oferecidas por mercados que aprenderam a convencer as pessoas de que têm problemas que precisam ser resolvidos, em vez de resolver os problemas de verdade.
Esse é o caso do consumo, onde o excesso é apresentado como cuidado, a repetição como tratamento e o círculo vicioso como acompanhamento. O que realmente agrega valor, como tempo, pausa, critério e simplicidade, é escondido porque não brilha o suficiente e não lucra tanto quanto as soluções rápidas e fáceis.
A inteligência, a tecnologia e o trabalho poderiam estar orientados para melhorar a experiência humana e reduzir o sofrimento real, ampliar o bem-estar e respeitar o tempo biológico. No entanto, grande parte desse potencial é usada para manter o movimento, não para gerar transformação, para ocupar, não para libertar e para convencer, não para cuidar.
O verdadeiro progresso não está em consumir mais, fazer mais ou prometer mais, mas em usar o que já sabemos e já somos capazes de fazer com responsabilidade ética. Nem tudo que pode ser vendido precisa ser comprado, nem tudo que pode ser feito precisa ser feito e nem toda promessa merece crédito. Se o trabalho, a tecnologia e o conhecimento estivessem mais comprometidos com necessidades reais e menos com carências fabricadas, o mundo seria não apenas mais eficiente, mas muito mais habitável.



