Fábricas do setor sucroalcooleiro e uma revenda de produtos químicos em Mato Grosso do Sul estão sob investigação na Operação Alquimia, deflagrada pela Receita Federal. A ação visa desmantelar um esquema clandestino de metanol, substância tóxica utilizada na adulteração de bebidas alcoólicas.
Agentes federais cumpriram mandados em Caarapó, Dourados e Campo Grande. Na Capital, a empresa Brasq Química, do ramo de cosméticos, foi alvo na Vila Albuquerque, surpreendendo moradores devido ao aparente abandono do imóvel. Suspeita-se que a empresa era usada como laranja desde o ano passado, após uma compra suspeita de “milhões de litros” de metanol que nunca chegaram ao local.
A Operação Alquimia cumpriu mandados em 24 estabelecimentos em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A investigação aponta para um esquema de revenda irregular, fraude documental e desvio de metanol para adulterar combustíveis e bebidas.
Em Mato Grosso do Sul, as empresas investigadas eram, principalmente, empresas de fachada. Em operações anteriores, empresas de Iguatemi e Dourados também foram investigadas. Amostras foram coletadas nas empresas para rastrear a origem do metanol e compará-las com amostras de bebidas falsificadas.
A superintendente da Receita Federal em São Paulo, explicou que a escolha das empresas se baseou no mapeamento da cadeia de distribuição do metanol, desde a importação até o uso final.
A Operação Alquimia é um desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, que investigaram a adulteração de combustíveis e o desvio de metanol.
Diante da crescente preocupação, as fiscalizações foram intensificadas em bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais em todo o Brasil. Em Campo Grande, o dono de uma conveniência foi preso por vender produtos contrabandeados e impróprios para consumo. Em Ribas do Rio Pardo, comerciantes foram flagrados com bebidas sem registro.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul recomendou que comerciantes adotem medidas rigorosas no controle da compra e venda de bebidas, exigindo notas fiscais eletrônicas e verificando rótulos e embalagens.
Até a última atualização, foram notificadas 148 intoxicações por metanol no Brasil, com 41 casos confirmados e 8 mortes. Em Mato Grosso do Sul, quatro casos estão sob análise em Campo Grande.





