O Papa Leão XIV embarcou nesta sexta-feira, 6, em uma viagem de 12 dias pela América do Sul, pouco mais de três semanas após passar por cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no pulmão. A partida do aeroporto de Fiumicino, em Roma, ocorreu às 6h (3h em Brasília), com destino a Montevidéu. O pontífice de 71 anos visitará Uruguai, Argentina e Peru, em uma das excursões internacionais mais intensas realizadas por um papa nas últimas décadas.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV viveu cerca de 20 anos no Peru como missionário e desenvolveu vínculo com a região. Na quarta-feira, 4, afirmou que aguardava com entusiasmo o retorno a países que lhe são "tão queridos" e expressou o desejo de que a visita contribua para "fortalecer a fé, renovar a esperança e reacender o fogo da caridade" em nações que enfrentam desigualdades, violência, declínio demográfico e recuo do catolicismo. Segundo o Vaticano, os médicos autorizaram a viagem e não serão necessárias medidas médicas adicionais além das habituais em viagens papais.
No Uruguai, país mais laico da América Latina, as autoridades montaram operação de segurança com cerca de 5 mil policiais e mais de mil militares. O papa percorrerá parte da orla de Montevidéu em papamóvel adaptado antes de se reunir com o presidente Yamandú Orsi e receber as chaves da cidade. Os ingressos para as missas em Paysandú e na cidade da Florida, além da vigília no estádio Centenario, esgotaram rapidamente, levando a Igreja a abrir novas vagas. A expectativa é que o discurso do pontífice enfatize a defesa da vida e da família, em contraste com a legislação uruguaia sobre casamento igualitário, aborto e eutanásia, legalizada no ano passado. O país registra a maior taxa de suicídios da América Latina, e Leão XIV poderá abordar saúde mental durante visita ao bairro de Casavalle, que enfrenta altos índices de pobreza e violência.
No domingo, o papa segue para a Argentina, país natal de Francisco, que nunca retornou à terra natal durante o pontificado. Para o especialista americano Christopher White, autor de um livro sobre Leão XIV, a viagem tem caráter de "retorno duplo". "Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, nunca voltou ao seu país. Leão, que possui a nacionalidade peruana, assume agora esse legado", explicou. O giro termina no Peru, com chegada na próxima quarta, 11. Para White, será "um momento carregado de simbolismo e emoção".
O país vive uma "febre papal": Em Lima, comerciantes vendem camisetas e terços com a imagem de Leão; padarias oferecem pães batizados em homenagem ao papa, e detentas de um presídio feminino confeccionam bonecas com a figura do pontífice. Uma estátua de 14 metros de altura foi erguida na cidade portuária de Callao, uma das etapas da visita. A viagem também levará o papa à antiga capital inca, Cusco, e à floresta amazônica. O roteiro inclui reencontros com o passado, quando ainda era Robert Francis Prevost, desde um jantar com padres da antiga diocese de Chiclayo até uma visita privada a uma capela cuja reconstrução ele ajudou a promover.





