O papa Leão XIV confirmou sua intenção de visitar a América do Sul em novembro, apesar de ter passado por uma cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno no pulmão. A viagem está agendada para ocorrer entre os dias 6 e 17 do próximo mês, abrangendo países como Uruguai, Argentina e Peru. Na manhã de quarta-feira, 14, a visita ainda constava em sua agenda oficial. Especialistas em cirurgia oncológica frequentemente recomendam um período de três semanas sem viagens de avião após procedimentos cirúrgicos, o que daria tempo suficiente para o pontífice se recuperar a tempo da viagem, embora a decisão final dependa de sua evolução clínica.
O itinerário da viagem é considerado ambicioso, sendo o mais longo de seu pontificado até agora. O papa Leão XIV deverá percorrer mais de 31.000 quilômetros e realizar 12 voos, além de dois deslocamentos de helicóptero. O trajeto inclui uma significativa mudança de altitude no Peru, onde o papa atuou por várias décadas, fortalecendo suas raízes e vínculos com a região.
Nascido em Chicago, nos EUA, o papa tem cidadania peruana desde 2015. Sua trajetória no Peru começou em 1985, quando chegou como missionário agostiniano, e ele exerceu funções importantes, incluindo a de bispo de Chiclayo, cidade que abriga cerca de 600 mil habitantes. Durante o pontificado de Francisco, Leão XIV foi nomeado cardeal em 2023 e assumiu a liderança do Dicastério para os Bispos e da Comissão Pontifícia para a América Latina.
Atualmente, o papa está internado no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, onde passou por uma cirurgia na terça-feira, 13. O procedimento durou aproximadamente 90 minutos e teve como objetivo a remoção do lobo inferior do pulmão direito, onde foi identificada uma massa cancerosa. O Vaticano informou que a cirurgia transcorreu com sucesso e confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, estabelecido durante os exames realizados antes da operação. Após o procedimento, o papa foi levado de volta ao seu quarto para recuperação.
Com 71 anos, Leão XIV já havia comunicado no domingo, 11, que os médicos haviam detectado um pequeno nódulo em seus exames. Apesar da gravidade da situação, as normas do Vaticano preveem que o comando da Igreja Católica permaneça com o papa, mesmo em casos de cirurgia, sem mecanismos específicos para a transferência de poder em situações de doença ou perda de consciência.
A agenda do pontífice para a viagem à América do Sul será acompanhada de perto, e a recuperação pós-cirúrgica é um fator crucial para a realização dessa importante visita. A expectativa é alta, tanto entre os fiéis quanto entre os líderes da Igreja Católica na região, que aguardam ansiosamente a presença do papa em seus países.






