A economia desponta como principal preocupação dos eleitores dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro, que definirá se o Partido Republicano do presidente Donald Trump mantém o controle do Congresso. Preços elevados e em alta estão no centro do debate, e boa parte dos norte-americanos responsabiliza as políticas do presidente, em especial as tarifas e a guerra com o Irã, pela inflação persistente.
Apesar do mau humor, os indicadores macroeconômicos mostram um quadro mais complexo. A taxa de desemprego ficou em 4,2% em setembro e não ultrapassa 4,5% há cinco anos consecutivos, o período mais longo já registrado. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos da menor marca em 57 anos, e a economia cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, o melhor desempenho do ano. O investimento empresarial, impulsionado pela demanda por inteligência artificial, avançou 12,7% no mesmo período.
Pesquisas de confiança do consumidor, porém, revelam deterioração do ânimo desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. O índice do Conference Board melhorou em outubro, enquanto o indicador da Universidade de Michigan registrou baixa quase recorde. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC que as pesquisas podem parecer pessimistas, mas o comportamento do consumidor e das empresas está sólido.
A inflação segue acima da meta de 2% do Federal Reserve, embora tenha desacelerado desde o pico de 2022. Os preços ao consumidor e a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5% desde janeiro de 2025, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho, o que deixou o poder de compra dos trabalhadores estagnado. O chair do Fed, Kevin Warsh, defende elevar os juros novamente em dezembro para conter a alta de preços sem provocar desemprego.
No mercado de ações, os principais índices acumularam dezenas de recordes no ano, mas uma onda de resultados financeiros de empresas como Amazon.com e Intel levantou dúvidas sobre a sustentabilidade do boom de gastos com IA, levando o Nasdaq Composite a uma queda acentuada. A combinação de hipotecas de 30 anos acima de 7% com a escassez de moradias tornou a compra da casa própria inacessível para muitas famílias.






