Nesta terça-feira (18), a Polícia Civil desencadeou a Operação Cura Terapêutica, voltada para investigar fraudes em serviços de internação de dependentes químicos financiados pelo Poder Público. Durante a ação, foi encontrada uma pessoa em cárcere privado, mantida por uma organização criminosa. O flagrante ocorreu durante o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, emitidos pela Justiça, em diversas cidades, incluindo Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.
Além do cárcere privado, as equipes também apreenderam três armas de fogo, munições, medicamentos irregulares, cartões bancários de terceiros e outros documentos que servem como evidência do crime. A Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores que ultrapassam R$ 1 milhão. Três indivíduos foram autuados em flagrante, com acusações que incluem posse irregular de arma, tráfico de drogas e sequestro.
Entre os presos está o empresário Fabio Garcia do Amaral, de 45 anos, que foi detido em sua residência no condomínio de luxo Ecoville I. Durante as buscas em sua propriedade, foram encontradas armas. Fabio é conhecido por ser o proprietário de uma clínica de reabilitação de dependentes químicos em Fátima do Sul, que foi interditada em julho de 2025 após a morte de uma adolescente de 16 anos, que estava internada na unidade.
A operação é resultado de um inquérito que investiga um esquema criminoso envolvendo empresas que prestam serviços de internação, com financiamento do Poder Público. A Polícia Civil identificou práticas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a Administração Pública. Após mais de um ano de investigação, foi constatado que as empresas envolvidas, embora formalmente distintas, estavam relacionadas em um esquema que gerou uma vantagem econômica estimada em mais de R$ 1 milhão.
Movimentações financeiras atípicas foram observadas entre as pessoas físicas e jurídicas sob investigação, sugerindo a prática de lavagem de dinheiro por meio de concentração e redistribuição de recursos. As buscas realizadas têm como objetivo coletar documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis essenciais para o aprofundamento das investigações.
A operação contou com a colaboração de diversas unidades da Polícia Civil, incluindo a Defron e as Delegacias Regionais de Ponta Porã e Fátima do Sul, além das delegacias de Glória de Dourados e Deodápolis. Equipes da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, da Vigilância Sanitária e do Conselho Regional de Farmácia também participaram das atividades, reforçando a importância da ação na proteção da saúde pública e na responsabilização de estruturas criminosas que afetam a vida de pessoas vulneráveis.





