por que a magia já não encanta mais os mais jovens

Um artigo publicado nesta semana no The New York Times aponta que o universo de Harry Potter que marcou a infância e a juventude dos millennials, vem perdendo espaço entre os mais jovens. O motivo vai além da fantasia: a história representa uma visão de mundo que já não conversa com a Geração Z.

Segundo o artigo, a diferença está na forma como cada geração se relaciona com a obra, com a autora e com o contexto político em que os livros foram criados.

Saga que marcou os millennials, Harry Potter hoje desperta leituras diferentes entre gerações - Foto: Reprodução
Saga que marcou os millennials, Harry Potter hoje desperta leituras diferentes entre gerações. Foto: Reprodução

De acordo com o artigo, os millennials cresceram acompanhando o lançamento dos livros e dos filmes, em um período de maior otimismo em relação à política e às instituições democráticas. Para esse público, a história ajudou a reforçar valores como tolerância, empatia e rejeição ao autoritarismo, o que contribuiu para a forte ligação emocional com a saga.

Mudança de contexto

O texto aponta que a Geração Z cresceu em um cenário diferente, marcado por crises econômicas, polarização política e menor confiança nas instituições. Nesse contexto, o tom otimista presente em Harry Potter já não provoca a mesma identificação entre os leitores mais jovens.

Outro ponto citado no artigo é a ligação direta entre Harry Potter e sua autora, J.K. Rowling. Desde 2018, ela passou a ser criticada por declarações sobre pessoas trans. Segundo o texto, muitos leitores mais velhos conseguem gostar da história mesmo discordando das opiniões da autora. Já entre os mais jovens, essa separação é menos comum: para eles, as falas de Rowling pesam na forma como a obra é vista, o que leva parte desse público a se afastar da franquia.

Envelhecimento do público

O artigo também menciona dados da indústria do entretenimento que indicam o envelhecimento do público da franquia. Produções recentes ligadas ao universo de Harry Potter tiveram maior adesão de adultos do que de crianças, sinalizando uma mudança no perfil dos fãs.

Para o jornal, isso não significa o desaparecimento do interesse pela saga, mas sim uma alteração na forma como ela é consumida e interpretada. A história permanece relevante para quem cresceu com os livros, enquanto novas gerações buscam outras referências culturais.

Debate cultural

O texto conclui que a discussão em torno de Harry Potter reflete um debate maior sobre memória cultural, mudanças geracionais e a relação entre obras de ficção, seus criadores e o contexto político de cada época. Histórias que marcaram uma geração tendem a carregar os valores do tempo em que foram criadas, o que influencia a forma como continuam sendo lidas e interpretadas ao longo dos anos.

Com o passar do tempo, essas obras podem perder identificação com novos públicos, não por deixarem de existir, mas porque o mundo ao redor mudou.

Para o The New York Times, o caso de Harry Potter mostra como uma mesma história pode ter significados diferentes conforme a experiência, a idade e o momento histórico de quem lê. A saga, portanto, segue relevante como fenômeno cultural, ainda que desperte reações distintas entre gerações.

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