A sensação atual é de que a violência não é apenas mais brutal, mas também mais íntima e próxima, ocorrendo dentro das casas e histórias familiares. Essa percepção se intensifica com a exposição constante a relatos de sofrimento, que agora atravessam telas rapidamente, revelando um problema estrutural e emocional mais profundo.
Estamos vivendo uma era de sobrecarga emocional, com informações, comparações e medos do futuro que geram um vazio difícil de nomear. Esse vazio, quando não trabalhado, se transforma em raiva, que, sem uma saída saudável, culmina em violência. As famílias, sendo o primeiro território de ensinamentos sobre poder e controle, se tornam o espaço onde essa violência se manifesta.
A solidão coletiva também é um fator relevante, pois mesmo conectados, muitos se sentem isolados. As redes sociais criam uma ilusão de felicidade que contrasta com a realidade de cansaço e medos, gerando vergonha e ressentimento. Esse ressentimento, acumulado em ambientes fechados, torna-se uma pólvora pronta para explodir.
Adicionalmente, a banalização da agressividade na cultura contemporânea torna a violência uma linguagem cotidiana. Quando essa perspectiva entra nas casas, as pessoas que não aprenderam a lidar com suas próprias dores podem acabar projetando essa dor em quem está mais próximo, criando um ciclo de violência e sofrimento dentro da própria família.






