O prefeito de Terenos, Eduardo Henrique Budke (PSDB), foi detido ontem em sua residência, durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação investiga um esquema de fraude em licitações que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos do município.
As investigações apontam para a suspeita de corrupção ativa, fraude em licitação e liderança de organização criminosa por parte de Budke. Além do prefeito, outras 15 pessoas foram alvos de mandados de prisão, cumpridos pelo Gaeco e Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), órgãos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A operação mobilizou ainda o cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão.
A Operação Spotless, segundo o Ministério Público, é uma continuação da Operação Velatus, deflagrada em 2024 também em Terenos, que investigava fraudes em licitações de obras. Segundo nota do Gaeco, a investigação constatou a existência de uma organização criminosa instalada no município, com núcleos de atuação bem definidos e liderada por um agente político que atuava como principal articulador do esquema.
A investigação do Ministério Público apurou que o grupo utilizava servidores públicos para fraudar licitações, direcionando os certames para empresas específicas. Os contratos firmados pelo grupo, somente em 2024, ultrapassaram R$ 15 milhões. O esquema envolvia o pagamento de propina a agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, acelerando os trâmites administrativos para o pagamento de notas fiscais.
As informações que levaram à Operação Spotless foram obtidas a partir da Operação Velatus, deflagrada em agosto do ano passado, que cumpriu nove mandados em Terenos, cinco em Campo Grande e um em Santa Fé do Sul (SP), além de um mandado de prisão na Capital. A partir de provas extraídas de telefones celulares apreendidos, foi possível identificar o modus operandi da organização criminosa e chegar até o líder do esquema.
A operação contou com o apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ordem judicial, expedida em 29 de agosto, foi assinada por um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Entre os 59 alvos dos mandados de busca e apreensão estão a sede da Prefeitura Municipal de Terenos, secretarias, residências e empresas de servidores e empresários em Terenos e Campo Grande. Até o fim da tarde de ontem, dois mandados de prisão ainda não haviam sido cumpridos.
A estrutura do grupo criminoso indicava dois núcleos principais: um político e outro empresarial. O núcleo político-administrativo, representado por um ex-secretário de obras e um servidor, tinha a capacidade de direcionar editais e simular a concorrência em processos licitatórios. O núcleo empresarial, composto por empreiteiros, se beneficiava dos contratos fraudados. A Operação Velatus também apontou para a criação de empresas sem estrutura ou experiência, indicando um esforço para criar fachadas para as atividades ilícitas.






