Produção cinematográfica sobre Lídia Baís inicia gravações em Campo Grande

As filmagens do longa-metragem intitulado "Lydia" começaram na Morada dos Baís, um casarão histórico localizado no Centro de Campo Grande. Este local, que foi o lar de Lídia Baís, uma das figuras mais emblemáticas da arte sul-mato-grossense, servirá como cenário para a cinebiografia que explora sua trajetória e contribuições artísticas. O projeto é dirigido por Ricardo Câmara e busca apresentar não apenas a pintora surrealista, mas também a mulher multifacetada, intensa e muitas vezes incompreendida que desafiou o conservadorismo de sua época para viver da arte.

Ricardo Câmara, que é jornalista formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e doutor em humanidades pela Universidade Autônoma de Barcelona, revelou que a ideia de criar o filme surgiu durante a pandemia. Ele encontrou um livro sobre Lídia Baís e, ao se deparar com imagens dela, convenceu seu sócio a desenvolver o projeto. Com a chegada da Lei Paulo Gustavo, a equipe viu uma oportunidade de produzir seu primeiro longa-metragem de ficção.

A produção do filme foi concebida de maneira colaborativa, semelhante ao início do cinema, envolvendo reuniões com artistas, pesquisadores e amigos de Lídia. Essas interações foram fundamentais para enriquecer o roteiro com histórias e memórias afetivas, contribuindo para uma narrativa mais autêntica. Câmara destacou que as conversas informais com personalidades como Humberto Espíndola e Júlio Figueiredo foram essenciais para inserir experiências reais na trama.

O filme também se propõe a mergulhar nas raízes culturais sul-americanas, refletindo a rica herança que influenciou a obra de Lídia Baís. Ela, que nasceu em 1900 e faleceu em 1985, é reconhecida por romper com os padrões de sua tradicional família sul-mato-grossense ao se aventurar pela experimentação artística, literatura e música. Sua casa, a Morada dos Baís, tornou-se um espaço de criação e resistência, onde produziu obras marcantes, como "Micróbio da Fuzarca", e dedicou seus últimos anos ao planejamento de um museu que preservaria seu legado artístico e espiritual.

Lídia Baís circulou entre os grandes nomes do modernismo e teve a oportunidade de viajar pela Europa, desenvolvendo uma linguagem única que dialogava com o expressionismo e o surrealismo. Sua trajetória é uma representação da luta pela liberdade de expressão artística em um contexto de resistência cultural. O filme "Lydia" promete trazer à tona não só a artista, mas também a mulher que desafiou as convenções e deixou uma marca indelével na arte de Mato Grosso do Sul.

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