Em Mato Grosso do Sul, a crescente presença de professores temporários na rede pública de ensino, representando mais da metade do corpo docente, levanta discussões sobre a disparidade salarial em relação aos profissionais concursados. Embora os salários dos temporários estejam em conformidade com o piso nacional estabelecido por lei, eles permanecem significativamente inferiores aos vencimentos dos professores efetivos.
Dados indicam uma diferença salarial de até 61% entre as duas categorias, dependendo da especialização do profissional. A Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) informa que o salário inicial de um professor temporário na Rede Estadual de Ensino (REE) é de R$ 5.363,00 para uma jornada de 40 horas semanais. Esse valor pode alcançar R$ 7.512,00 para professores graduados sem licenciatura ou com especialização. Em contrapartida, um professor efetivo com a mesma carga horária, no nível mais básico de progressão na carreira, recebe R$ 8.671,00.
A recém-eleita presidente da Fetems, Deumeires Moraes, expressou a intenção de negociar com o governo estadual melhorias salariais, direitos e condições de trabalho para os professores temporários, com foco na realização de um novo concurso público em 2026. A proposta da Fetems ao executivo estadual é implementar uma progressão porcentual para diminuir gradativamente a diferença salarial entre as categorias.
Mato Grosso do Sul é um dos sete estados brasileiros que possuem legislação específica para a contratação temporária na educação. Um estudo de 2023 apontou que o estado contava com 26.487 professores efetivos e 14.264 temporários, com um crescimento de 27,1% nesta última categoria entre 2017 e 2023.
Em Campo Grande, a prefeitura chegou a anunciar a retirada de benefícios dos professores temporários da Rede Municipal de Ensino (Reme), gerando protestos e culminando na revogação da medida pela prefeita Adriane Lopes. A administração municipal e a categoria negociaram um novo reajuste salarial, prevendo o pagamento do passivo acumulado a partir de 2026 e a reposição de 100% do índice anual do piso nacional do magistério.
Segundo a Fetems, três municípios do estado – Batayporã, Paraíso das Águas e Paranaíba – ainda não cumprem a Lei do Piso dos professores.





