A Penitenciária Estadual de Segurança Máxima de Campo Grande, localizada no Jardim Noroeste, implementou uma nova norma que proíbe a entrada de bolos recheados, bolos no pote, bombons e outros alimentos. A decisão, que entra em vigor no dia 2 de maio, provocou descontentamento entre os familiares dos internos, que expressaram suas preocupações sobre a restrição.
Uma mulher de 34 anos, que é autônoma e esposa de um detento, destacou que muitas famílias dependem do dia de visita para levar comida aos seus entes queridos. Ela afirma que os preços dos produtos vendidos internamente são altos e inviáveis para muitos, especialmente em um contexto em que já enfrentam despesas com transporte e manutenção do familiar preso. “Um pão francês custa R$ 5, um café R$ 50”, relatou a visitante, evidenciando a situação financeira difícil que muitas famílias enfrentam.
A nova regulamentação inclui uma lista de itens proibidos, como bolo confeitado ou recheado, bombons, lanches e salgados, além de mousse, pudim e derivados. Os familiares também mencionam que, como alguns internos recebem visitas apenas em raras ocasiões, esses momentos se tornam cruciais para a entrega de alimentos e itens pessoais. A mulher questionou a eficácia do scanner que revisa todos os itens na entrada, indagando: “Se eles vão revistar tudo e decidir o que entra e o que não entra, de que serve o scanner?”.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) justificou a medida, afirmando que alimentos recheados têm sido utilizados para ocultar materiais ilícitos, como entorpecentes e fermento para a fabricação de bebidas artesanais. A agência ressaltou que os recheios dificultam a identificação nos equipamentos de inspeção, como os aparelhos de raios-x. Além disso, quando uma vistoria física é necessária, os alimentos podem ser danificados ou cortados, gerando insatisfação e conflitos com os visitantes.
Apesar das novas restrições, a Agepen garantiu que bolos simples, sem recheio, continuam sendo permitidos. A entrada de alimentos prontos também segue autorizada, desde que respeitado o limite de até 8 quilos por visitante. Essa mudança nas normas gera discussões sobre a segurança e a experiência dos familiares durante as visitas, em um ambiente que já é desafiador para muitos.






